Possessão (2012)

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Eu gostei muito do Arraste-me Para o Inferno. Após 5 anos dedicados aos filmes do Homem Aranha, foi bom ver o Sam Raimi voltando a fazer um “terrir” (gênero que o consagrou com a série Uma Noite Alucinante) repleto de personagens medonhos, músicas marcantes (uma das últimas trilhas sonoras que eu “adquiri” rs) e uma boa quantidade de sustos e violência misturados com cenas hilárias. Por que eu estou falando isso? Porque, por uma falta de atenção imperdoável, eu caí novamente na pegadinha do malandro! Que coisa feia, Sr. Lucian!

Possessão, que é do tipo “Produzido/Apresentado por”, me levou ao cinema para ver, segundo eu imaginava, o novo trabalho do Sam Raimi. O engano infantil (visto que uma pesquisa rápida o teria evitado, bem como o teria ler o pôster direito) me colocou frente a frente com um filme de terror “baseado em fatos reais” dirigido pelo dinamarquês Ole Bornedal, do qual eu conhecia apenas o mediano Just Another Love Story. Bem, uma vez dentro do cinema não dava para voltar atrás, então resolvi deixar de lado a minha frustração e dar uma chance ao filme, afinal de contas o nome do Raimi estava de alguma forma envolvido no projeto e o longa era estrelado pelo Jeffrey Dean Morgan, ator de quem eu gosto muito por seu papel em Watchmen. Amigos, se nesse momento eu tivesse noção do quão entediante e chata seria a minha próxima 1h30min, eu CERTAMENTE teria abandonado a sala de cinema, atitude que eu não tomo desde 2005 quando eu fui ver aquele filme tosco e ridículo chamado O Pesadelo.

Vejam só: Clyde (J.D.Morgan) separou-se da mulher (Natasha Calis) recentemente. Ele vê suas duas filhas apenas nos finais de semana e costuma levá-las para uma casa em um lugar afastado que ele acabou de adquirir. Em um dia qualquer, Clyde leva as filhas em uma dessas vendas que os americanos costumam organizar nos jardins de suas casas e lá uma das meninas encanta-se com uma misteriosa caixa antiga. Clyde compra a tal caixa, a menina abre o objeto, é possuída por um demônio do panteão judaico e então tudo, absolutamente TUDO que você e eu já estamos cansados de ver em filmes sobre possessões e exorcismos (aqui e aqui) acontece.

O fato de eu não ter me informado melhor antes de ir no cinema é um problema meu. Não que eu não fosse assistir Possessão caso eu soubesse que o Sam Raimi apenas produziu o filme, mas nesse caso eu pelo menos teria ido mais preparado para algo ruim. Todo caso, repito, o erro foi meu. No entando, quando o filme começa e poucos minutos depois já vemos alguém mudando-se para uma casa nova, o problema começa a ser de outra pessoa. Quando o casal recém separado surge na tela reproduzindo briguinhas fúteis sobre as crianças, eu me sinto desconfortável com a sensação de que eu já vi isso antes. Quando o filme apresenta cena após cena onde tentam assustar o espectador com elevação do volume da música e objetos/personagens que são jogados na tela, eu me sento desrespeitado. Quando qualquer esforço para imprimir personalidade visual no filme não passa de uma cópia mal feita do Os Pássaros do Hitchcock, eu fico impressionado com a falta de criatividade dos envolvidos. E quando, finalmente, o filme culmina em um exorcismo repleto de xingamentos, corpos se contorcendo e eventos sobrenaturais rolando, eu realmente senti vontade de ir embora como forma de protesto. O que isso mudaria no mundo? Nada, absolutamente nada.

Terminei de ver o filme com uma idéia em mente: escrever um texto que mantesse as pessoas afastadas dele. Acreditem, não há NADA nesse filme que já não tenha sido feito antes de forma MUITO mais competente. Senti dó do J.D. Morgan por participar de uma bomba dessas. Amaldiçoei o Sam Raimi por vincular o nome dele a uma porcaria desse nível. Fiquei extremamente feliz quando a sessão acabou e cheguei a pensar em apenas postar o pôster do filme com um comentário simples, direto e eficaz do tipo “vtnc”. Bem, acho que não preciso dizer mais nada, Possessão é um dos piores filmes que eu vi na vida e eu espero que esse texto salve seu dinheiro e sua paciência.

Extremamente assustador, sombrio e convincente. Eu não sou irônico.

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  1. Olá Lucian

    Pode deixar que manterei a devida distância…rsrsrs. Já não vou ao cinema para ver filmes desse genêro, depois da sua recomendação, nem se o encontrar online.
    Há poucos filmes realmente bons.
    A última coisa que assisti no cinema foi Deixe Ela Entrar, a versão sueca, e gostei bastante; existe a versão de hollywood, mas nem me interessei, pra não conspurcar a impressão que tive dele.

    Abraços

    • Eu adorei o Deixe Ela Entrar (e também do Deixe-me Entrar). Quanto aos filmes de terror atuais… tenho percebido que vale muito a pena buscar material fora de Hollywood, França e Coréia tem produzidos bons filmes do gênero. Abraço

  2. Pingback: Um Ato de Coragem (2002) « Já viu esse?

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