Nausicaa – A Princesa do Vale do Vento (1984)

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Fiquei um bom tempo sem assistir animações. Olhando aqui rapidamente, vi que meu último post na categoria foi o texto do Valente no dia 06/08. Anime então o último foi o Gen Pés Descalços no longínquo dia 31/03. Resolvi então usar o fim de semana para tirar o atraso: fui no cinema conferir o Frankenweenie e, auxiliado pela lista de Animações Mais Bem Avaliadas do IMDB, cheguei até o Nausicaa – A Princesa do Vale do Vento, segundo longa metragem dirigido pelo Hayao Miyazaki baseado em um mangá de sua própria autoria publicado entre os anos de 1982 e 1994.

A história acontece 1000 anos no futuro. A sociedade entrou em colapso (aparentemente devido ao avanço descontrolado da tecnologia) e tudo o que sobrou foram pequenos reinos, ilhas de sobrevivência, dentro de uma imensidão de terras abandonadas e inabitáveis devido a um fungo mortal que infestou o planeta. Insetos e animais ganharam proporções gigantescas nesse novo mundo e, enquanto alguns povos tentam conviver com eles pacificamente, outros enxergam-nos como ameaças e tentam a todo custo destruí-los. Nausicaa, princesa do Vale do Vento, voa com seu planador procurando evitar conflitos entre humanos e insetos e encontra seu verdadeiro desafio quando 2 reinos iniciam uma disputa pela arma definitiva, o corpo de um Deus Soldado que, se ressuscitado, poderia destruir tanto os insetos bem como tudo aquilo que sobrou do planeta.

Esconda-se nos meus peitos, animalzinho fofinho e inocente!

Conhecendo alguns dos trabalhos posteriores do Miyazaki (Totoro, Princesa Mononoke, Ponyo, etc), eu achei legal verificar que lá no comecinho de sua carreira o cineasta já demonstrava seu amor e preocupação com a natureza. Além de apresentar um mundo onde a falta dessa preocupação trouxe consequências trágicas para todos, o diretor procura utilizar a história para relatar problemas e preocupações que eram e continuam sendo atuais. Os tais insetos da história, por exemplo, são tidos como seres monstruosos e ameaçadores, mas em mais de uma oportunidade fica claro que eles só atacam quando provocados e que a sua presença no planeta traz muito mais benefícios do que problemas. Nausicaa entende isso e, com uma força de vontade incomum, luta por um mundo onde seres humanos e insetos possam conviver pacificamente. Quando transportamos essas idéias para nossa realidade, percebemos quantos conflitos são causados mais pela ignorância de uma ou de ambas as partes do que pela completa inevitabilidade do confronto.

Não pensem, no entanto, que o discurso pacifista de Miyazaki tranforma sua personagem em uma moralista unilateral qualquer. Nausicaa é a favor da paz e do diálogo, mas quando a situação pede ela saca sua espada e parte com fúria pra cima dos inimigos. No meio das cenas dedicadas a mostrarem a beleza da natureza que ainda vive naquele mundo, temos sequências espetaculares de batalhas terrestres e aéreas cujo valor e apreciação só aumentam quando nos lembramos que elas foram feitas a praticamente 30 anos utilizando quase que unicamente desenhos feitos a mão. Distanciando ainda mais do que poderia ser uma animação feita para crianças, Miyazaki mata personagens, mostra sangue nas batalhas e utiliza closes maliciosos para mostrar a personagem enquanto ela voa em seu planador. Nausicaa usa uma calça por baixo de seu vestido, mas por essa calça ser EXATAMENTE da mesma cor de sua pele, dá-se a impressão constante de estar vendo a bunda dela. Miyazaki, seu safadinho!

Nausicaa, até por ser baseado em uma história complexa publicada em várias edições de um mangá, é um tanto quanto corrido e possui um universo que não cabem nas quase 2 horas da animação. Em alguns determinados momentos, eu fiquei um pouco perdido com a quantidade de termos e referências utilizadas, principalmente no que diz respeito aos reinos existentes e nas motivações de cada um deles. Todo caso, tais problemas (se é que podemos chamá-los assim) não chegam a atrapalhar: a sessão é muito agradável, a história tem uma mensagem válida e palpável, o roteiro casa bem os diálogos com as cenas de ação inspiradas e os personagens, como o Mestre Yupa, são carismáticos e divertidos. Fica aqui a dica e os cumprimentos redundantes ao trabalho do mestre e do Estúdio Ghibli.

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  1. Estou esperando por uma segunda parte da historia,por que no manga tem uma sequencia apesar que no anime ele não deixou nenhum gancho para uma sequencia ,mas nada impede de continuar a historia

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