Evilenko (2004)

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Há pouco tempo eu li o Serial Killer – Louco ou Cruel? da Ilana Casoy. Eu lia antes de dormir e tinha pesadelos que deixariam muitos filmes de terror no chinelo. A autora começava apresentando o aspecto psicológico dos assassinos, onde, em linhas gerais, danos cerebrais e impotência sexual eram mostrados como traços comuns dessas pessoas. Em um segundo momento, Casoy teorizava sobre o quanto esses problemas influenciavam na escolha do método e do padrão das mortes, procurando deixar o leitor decidir se, assim como o título sugere, os assassinos eram loucos ou cruéis. Fechando a obra, uma compilação repleta de detalhes sobre alguns dos maiores serial killers conhecidos. Sinceramente, não lembro se o livro trazia o caso do russo Andrei Chikatilo mas, se não o traz, trata-se de uma omissão gravíssima.

Chikatilo, segundo o artigo do Wikipédia, confessou o assassinato de 53 crianças e mulheres ocorridos entre as décadas de 70 e 90. Exemplo de um caso raro onde sêmen e  sangue não poderiam ser correlacionados, o russo estuprava, matava e devorava suas vítimas com a certeza de que nunca seria preso pela polícia. Único filme dirigido pelo italiano David Grieco, Evilenko baseia-se na vida de Chikatilo para recriar a atmosfera de terror e medo espalhada por aquele que é considerado o maior serial killer da história da Rússia.

Interpretado pelo cultuado Malcolm McDowell (Laranja Mecânica, Calígula), Andrej Romanovic Evilenko é um comunista convicto em uma União Soviética que demonstra sinais claros de desintegração. No começo da trama, Evilenko trabalha como professor primário em uma escola mas é forçado a pedir demissão após ser acusado de pedofilia. A personalidade doentia do personagem continua a ser revelada em suas conversas com sua esposa e amigos até que, em uma viagem de trem, finalmente vemos do que ele realmente é capaz: Evilenko persuade um garoto a esconder-se dentro do banheiro para em seguida assassiná-lo brutalmente pintando as parede do lugar com sangue. O tempo passa, o número de mortos aumenta e o governo designa o Inspetor Vadim Lesiev (Marton Csokas) para o caso.

Evilenko e uma de suas vítimas

O filme de Grieco trabalha o tema do serial killer em duas frentes distintas. Por um lado, temos a tradicional investigação policial sobre o caso, com Lisiev tentando compreender a mente do assassino. No processo, Lisiev envolve-se mais do que o normal investigação, prejudica seu casamento, coloca sua família em risco e ganha a desconfiança de seus superiores. A parte forense de Evilenko não é das melhores e mais atrativas, mas o último diálogo entre Lisiev e o serial killer, tanto pelo método empregado pelo policial quanto pelo aspecto psicológico da cena, é realmente muito bom, me lembrou os melhores momentos de outro expoente recente do gênero, o alemão Anticorpos.

Por outro lado, temos o mergulho na mente de Evilenko e a demonstração de seus crimes. Assim como Casoy sugere em seu livro, o personagem sofre de impotência e teve vários problemas em sua infância. Mais do que mostrar como isso pode ter influenciado no comportamento do serial killer, Grieco procura manter-se longe e limita-se a expor as crueldades cometidas por Evilenko. Vê-se então ataques psicológicos, como na cena de abertura (Evilenko conta para uma criança uma história onde uma menininha morre, vai para o céu e de lá vê que ninguém, nem mesmo seus pais, sentiram falta dela), abusos sexuais (na escola, o professor pede para que uma menina pegue em seu pênis como punição por ela ter se comportado mal) e mortes brutais (a já citada cena do trem é um cenário perturbador).

O filme não chega a ser exatamente violento, até porque, por a maioria das vítimas serem crianças, o diretor optou por mostrar apenas os cenários onde elas foram mortas, mas merece algumas ressalvas no que diz respeito a indicá-lo devido a cenas polêmicas de pedofilia que poderão chocar muita gente. Mesmo não sendo uma das melhores opções disponíveis dentro do gênero, Evilenko merece uma chance pela história que conta e pela atuação impecável do ator Malcolm McDowell.

Evilenko, o verdadeiro comunista comedor de criancinhas

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  1. Ah, no livro da Ilana Casoy tem sobre o Chikatilo. Na real fala sobre os serial killers mais famosos, dois dos meus favoritos estão nesse livro, o Dahmer e o Fish.

    Ótimo texto, vou ver esse filme, achei bem interessante! o/

  2. interessante, tudo relacionado ao psicopata é muito interessante de ser discutido, além disso ! É necessário !

  3. No livro ele fala sim sobre esse serial killer. Inclusive é feito um comentário, sobre como no começo das investigações, os policiais não acreditavam que se tratava de um assassino serial, porque isso, para eles, era coisa de país capitalista.

    • é… e ainda conta como ele atraía e matava crianças russas ao viajar a trabalho pela Rússia e da incompetência da policia ao prendê-lo pelo menos duas vezes e não conseguir provar que ele era o Lobo.

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