Busca Implacável (2008)

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O Liam Neeson me ameaçou! Eu estava tranquilamente sentado na poltrona do Cinemark esperando o Looper começar quando ele apareceu e disse algo do tipo: “Se você não assistir esse filme,  eu vou te procurar, te encontrar e aí… acho você sabe o que acontecerá depois”. O filme em questão é o Busca Implacável 2 e, como eu não havia assistido o primeiro, eu não levei a ameça muito a sério. Todo caso, fui informado por um amigo que o personagem não é do tipo que faz brincadeiras e, curioso, fui procurar saber o que ele quis dizer com “você sabe o que acontecerá depois”.

Busca Implacável é um desses filmes de ação oitentistas com um personagem durão, gênero que segurou a carreira pós western de atores como Clint Eastwood e que permitiu que caras como Steven Seagal e Charles Bronson tivessem suas chances. A receita “pouca conversa, muita ação” é reciclada aqui para contar a história de um ex-agente secreto (Liam Neeson) que parte em uma missão de resgate após ter sua filha (Maggie Grace) sequestrada.

Esse roteiro, que é assinado pelo badalado Luc Besson, é tão simples quanto poderia ser em um filme onde, mais  do que mostrar uma idéia, deseja-se satisfazer a sede do público por cenas de ação. Bryan Mills, o personagem de Neeson, é um sujeito que perdeu o casamento e o contato com a filha devido a seu trabalho para o governo. Quando tenta aproximar-se novamente de sua família, ele esbarra principalmente na resistência de sua ex-mulher a suas paranóias relacionadas a segurança da filha. Isso é praticamente tudo que o roteiro nos permite saber sobre o que Bryan viveu, sente e deseja. O tratamento muda quando trata-se da demonstração daquilo que o personagem, no diálogo mais marcante do filme, define como “um grupo muito particular de habilidades”.

Cadê a Shannon do Lost?

Bryan é o famoso “exército de um homem só”: luta e atira bem, é resistente a danos físicos e psicológicos e, principalmente, possui um raciocínio aguçado que sempre o coloca a frente de seus inimigos. Se a cena do sequestro (onde ele usa a ameça suprema eu vou te procurar, vou te achar e vou te matar) impressiona, a forma como ele consegue localizar a filha, em outro continente, e elaborar um plano para resgatá-la é simplesmente sensacional.

Ao lidar com a escória do crime europeu, Bryan cumpre o que prometera no início do longa e encontra e mata todo mundo. Devem haver várias explicações psicológicas para o fato de gostarmos de ver violência na tela e eu não estou interressado nelas. O fato é que sinto uma espécie de alegria quando eu vejo um cara entrando em uma sala repleta de criminosos, identificando-se como o cara que eles estavam procurando para, em seguida, matar todos eles sem um pingo de remorso. Vai ver isso aconteça porque essa atitude de “dar o troco” funciona como uma extensão ficcional metafórica daquilo que nós gostaríamos de fazer (e não podemos) em nosso dia-a-dia, ou simplesmente seja legal ver um bandido sendo eletrocutado até a morte. Eu não sou sádico.

O maior trunfo de Busca Implacável, que eu considero ser fazer esse resgate do filme de ação violento simples e direto, também acaba contribuindo para os seus defeitos, já que inclui ao longo de sua 1h30min a clássica (e quase sempre chata) perseguição de carro e também oferece um “confronto final” bobo com um personagem completamente aleatório que, ao contrário dos sacos de pancada vistos ao longo do filme, oferece alguma dificuldade para Bryan.

A mão do diretor Pierre Morel é quase imperceptível e isso acaba sendo bom porque, mais importante do que prestar atenção no estilo, aqui o que vale mesmo é acompanhar o rastro de destruição deixado por um Liam Neeson inspirado e assustadoramente ameaçador. Prato cheio para quem gosta de filmes de ação, Busca Implacável destaca-se dentro do gênero por sua objetividade e por seu personagem bacana. Enquanto estou escrevendo essa resenha, já assisti Busca Implacável 2 e salvei a minha pele: Bryan não irá me procurar. Pena que agora eu esteja mais alividado do que feliz de ter visto a continuação, mas isso é assunto para outro texto.

Bryan carregando o legado dos Callahan e dos Kersey

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