Filha do Mal (2012)

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Depois que deixamos a adolescência para trás e amadurecemos um pouco, é natural que nos tornemos um pouco mais críticos e menos passionais com relação a obras de arte. Não trata-se de ficar em cima do muro e relativizar tudo, mas sim de perceber que dificilmente algo é essencialmente bom ou ruim. É então que as reações do tipo “amo ou odeio” dão lugar a comentários e reflexões mais complexas que visam perceber um objeto analisado em toda sua totalidade e variáveis. Sendo um pouco menos abstrato, peguemos a música sertaneja como exemplo. No geral, é um tipo de som que não me agrada, mas nem por isso eu vou sair por aí dizendo que odeio o estilo, tanto porque eu não ganho nada com isso quanto porque é um tipo de música que é bom para animar festas, ou seja, acaba cumprindo algum tipo de papel/função.

Filha do Mal, outro desses filmes que procuram emular o “efeito realidade” de títulos como A Bruxa de Blair e do recente Atividade Paranormal para assustar, pode ser compreendido com o mesmo raciocínio usado no parágrafo anterior. Vejam bem, eu disse compreendido, porque o entendimento não precisa necessariamente levar à aprovação do que foi visto. No caso, o que se vê é uma história onde uma mulher matou 3 pessoas durante uma tentativa de exorcismo. Alguns anos depois, a filha dessa mulher vai até o Vaticano procurá-la para saber o que de fato aconteceu e descobre da pior forma possível que o demônio ainda não havia deixado sua mãe em paz.

Bem, Filha do Mal é um filme ruim. A fórmula documental já dá sinais claros de esgotamento, as atuações são em sua maioria ruins, o roteiro tem reviravoltas previsíveis e os diálogos entre um susto e outro são cansativos. Mesmo considerando todos esses contras, devo dizer que minha experiência com o filme foi bastante divertida. Por que? Porque eu assisti ele ao lado de 4 amigos e de uma vodka de cinco reais.

Olha isso, véi!

Há um certo tempo, eu vi uma amiga defendendo o Transformers – A Vingança dos Derrotados para um cinéfilo dizendo que ela sabia que o filme era fraco mas que, visto em grupo e não levando-o a sério, ele era bem divertido. Assim como as explosões do Michael Bay, a maioria desses filmes de terror que tem sido lançados ultimamente carecem de substância e recozinham fórmulas de sucesso anteriormente comprovadas. Fracos e carentes de inspiração e profundidade, esses trabalhos cumprem o papel de fornecer diversão simples e de fácil assimilação tanto para os menos escolados em cinema quanto para quem está afim de simplesmente desligar o cérebro por 1h30min. Em condições normais, eu ficaria entediado de ver uma mulher descabelada contorcer-se fajutamente em cima de uma cama mas, acompanhado de outras pessoas tão ou mais embriagadas do que eu, a experiência foi bastante singular: diverti-me identificando os clichês do gênero (as blasfêmias do O Exorcista, as camêras estáticas do Atividade Paranormal, etc), ri das conversas bizarras entre a filha e a mãe possuída e, na medida do possível e auxiliado pelo poder da gloriosa Leonoff, fiquei assustado uma ou duas vezes com o processo de desencapetamento total mostrado na tela.

Resumindo, Filha do Mal é tipo música sertaneja e menina feia: por mais que tu não goste e nem tenha interesse, deve-se reconhecer que eles fazem a alegria de muita gente, principalmente em estados alterados da mente. Ta certo que depois tu pode arrepender-se amargamente de ter gasto o seu tempo assim, mas nem por isso a diversão daquele momento deve ser desconsiderada. Um viva para os russos e outro para o relativismo.

Pô cara, olha esse cabelo, véi!

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