O Legado Bourne (2012)

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Assisti a Trilogia Bourne na época em que eu comecei a escrever sobre filmes. Mesmo dublados e com uma qualidade péssima de imagem (cortesia do DVD “3 em 1” do camelô), aqueles filmes representaram pra mim uma experiência relativamente nova dentro do gênero ação: O Jason Bourne do Matt Damon, assim como a maioria dos protagonista desses filmes, também era um cara forte, bonitão e eficiente mas, mais do que isso, o roteiro justificava de forma convincente o vigor físico e a inteligência do personagem e criava um contexto onde o uso dessas habilidades era necessário. Perseguido, Bourne escapou do inferno várias vezes e tornou-se uma lenda dentro daquele mundo e também dentro do nosso, lugar onde a menção do nome do personagem e do filme sempre vem relacionada a comentários elogiosos ao diretor Paul Greengrass e as inovações que ele introduziu dentro do gênero.

Como lendas não são esquecidas e muito menos ignoradas pelos cofres de Hollywood, cogitou-se fazer um quarto filme da franquia, idéia que foi recusada tanto pelo Matt Damon quanto pelo Greengrass, o qual chegou até a referir-se ironicamente a continuação como A Redundância Bourne. Saem então os dois principais responsáveis pelo sucesso dos filmes e, no lugar, são escalados o diretor Tony Gilroy (que assinou o roteiro de todos os filmes da trilogia) e o competente Jeremy Renner, ator que tem construído uma sólida carreira em filme de ação com seus trabalhos em Guerra ao TerrorAtração Perigosa, Missão Impossível 4 e Os Vingadores.

Jason Bourne não é mais o protagonista em O Legado Bourne mas nem por isso ele deixa de participar do filme. Como foi dito, o personagem tornou-se uma lenda viva após escapar de várias tentativa de queima de arquivo e o seu nome ainda provoca dores de cabeça nas pessoas do governo e naqueles que conhecem o projeto Treadstone. O filme começa mostrando as consequências das perseguições ineficazes a Bourne e de quebra revela que ele não era o único de seu tipo. Aaron Cross (Renner), outro soldado do projeto, está em uma montanha do Alaska completando seu treinamento quando informações vazam e obrigam o governo a cancelar tudo relacionado ao Treadstone. Comandando a operação, o Coronel Eric Byer(Edward Norton) lidera uma equipe que começa a apagar informações e a eliminar todos os soldados da Treadstone em operação. Aaron Cross escapa da primeira tentativa de assassinato e recorre a cientista Marta Shearing (Rachel Weisz) para ajudá-lo a romper sua dependência do projeto.

O diretor Tony Gilroy, que também assina o roteiro deste, soube reaproveitar os elementos que deram fama aos originais. Passaportes falsos, conspirações, aventuras em lugares remotos, tecnologia de ponta e armas improvisadas, está tudo aqui. O roteiro fazer menções a Jason Bourne, mostrando inclusive fotos do personagem, também é legal e deixa uma porta aberta para um possível retorno do Matt Damon para a franquia. O que não funciona, pelo menos não com a mesma competência que era característica da série, são as cenas de ação. Seja pelos cortes excessivos (sempre eles), seja pelos absurdos do que rola na tela (a perseguição de moto beira o risível), Gilroy perdeu aquele tom realista que Greengrass trabalhou em seus filmes. Aaron Cross é mostrado como um soldado que está no mesmo nível ou até mesmo acima de Jason Bourne, mas certas coisas que ele faz são difíceis de acreditar e isso, em uma série que até agora seguia um outro caminho, é um ponto muito negativo. O final, que deixa claro a intenção de que O Legado sirva como o início de uma nova trilogia, também fica devendo: os créditos surgem após 2h15min em um anti-clímax decepcionante.

Balanceado esses problemas, temos as boas atuações do Edward Norton e da Rachel Weisz, com destaque para a atriz que impressiona nas cenas do laboratório e do interrogatório. Jeremy Renner também merece ser citado por conseguir segurar o fardo de substituir o Matt Damon em uma história onde ele era a principal referência.

Aqui vale a sinceridade: eu lembro de pouquíssimas coisas da Trilogia. Mesmo que eu a tenha adotado como referência de filmes de ação “inteligentes”, eu tenho poucas lembranças do roteiro e das cenas dos três primeiros filmes. Por esse motivo, não tenho condições de dar um veredito sincero sobre o papel desse filme enquanto continuação da história do escritor Robert Ludlum. Visto então em toda sua singularidade, O Legado Bourne não é um filme ruim, mas seguramente ele não será a referência de ninguém para alguma coisa.

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