Diário dos Mortos (2007)

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Eu não sou lá um desses fanáticos por zumbis que idolatram tudo que envolve os mortos-vivos. Eu joguei alguns jogos da série Resident Evil (2, 3 e Code Veronica), assisti aqueles filmes horríveis com a Milla Jovovich (o 2 até que é legal) e acompanho a série The Walking Dead, mas nem de longe eu me considero um conhecedor ou fã do assunto. Sou leigo mas não sou bobo: o nome George Romero sempre fez parte da lista de diretores para os quais eu planejei dedicar atenção em alguma parte da minha vida. Nas minhas leituras sobre cinema e conversas com amigos sobre o mesmo tema, o nome do diretor sempre surge como referência incontestável quando o assunto assunto é terror  e zumbis. Pois bem, chegou a hora de começar a explorar a fimografia do diretor e o mundo dos mortos-vivos e o escolhido foi o Diário dos Mortos, penúltimo trabalho de Romero lançado em 2007.

Uma floresta escura e sombria é o cenário que o estudante de cinema Jason Creed (Josha Close) escolhe para gravar o filme que será seu trabalho de conclusão de curso. Aquilo que parece uma versão trash do clássico A Múmia é interrompido pela notícia de que, em algumas cidades dos EUA, aparentemente os mortos ressuscitaram e começaram a atacar a população. Jason e seus amigos interrompem as filmagens e vão até a casa de Debra (Michelle Morgan), a namorada do estudante, local onde eles descobrem que a veracidade das notícias espalhou o caos pelo país. Como o governo tenta abafar o caso plantando notícias falsas no telejornais, Jason decide filmar os eventos e publicá-los na internet. A frieza e obsessão do futuro cineasta no registro das imagens contrastam então com o terror e o desespero de seus amigos durante a jornada que eles iniciam pelo interior do país.

Se não me engano, é no A Saga Crepúsculo – Lua Nova que uma amiga da tal Bella Swan comenta ironicamente (em uma espécie de ataque dos roteiristas àqueles que criticam a série) sobre os supostos “comentários sociais” existentes nos filmes de zumbis. Bem, independente dessas pessoas reconhecerem ou não, eles existem e nos dois trabalhos do Romero que eu vi até agora eles são muito bem trabalhados. Opa, espera aí, você disse que não tinha assistido nenhum filme do diretor! vocifera o leitor atento. Diário dos Mortos foi o primeiro filme que eu vi dirigido por ele, mas, antes disso, eu assisti no cinema o remake dirigido pelo bam-bam-bam Zack Snyder de Madrugada dos Mortos, um dos muitos clássicos do Romero. Nesse filme, grande parte da história acontece em um shopping para onde as pessoas que transformam-se em zumbis (seres teoricamente burros e sem senso crítico) dirigem-se compulsivamente. A crítica implícita ao consumismo é substituída em Diário dos Mortos pela crítica ao uso exagerado da tecnologia e a falta de sensibilidade que muitas vezes predomina no trabalho da imprensa.

O que vemos na tela na maior parte do tempo é aquilo que Jason está filmando com sua câmera. O que dá a trama um certo aspecto de realidade (grande trunfo de filmes como A Bruxa de Blair) também é usado para mostrar a postura polêmica do personagem frente aos eventos. Obcecado por mostrar a “verdade” para o mundo, Jason preocupa-se mais em registrar o ocorrido do que ajudar seus amigos, chegando ao absurdo de optar por filmá-los enquanto eles estão sendo atacados quando ele poderia deixar a câmera de lado e socorrê-los. A crítica que é feita aos profissionais que vivem em função de tragédias me lembrou muito aquele episódio onde o fotógrafo Thiago Brandão foi criticado por optar tirar fotos da mulher que arriscava-se para ajudar o filho que afogava no lugar de ajudá-la. Romero também não poupa os viciados em tecnologia e mostra o persongem preocupando-se com acessar a internet e fazer upload de vídeos enquanto o mundo entrava em colapso, situação que, grosso modo, eu consigo fazer um paralelo com aquelas pessoas que vão em shows (ou no cinema) e preferem filmar o espetáculo do que verdadeiramente vivenciá-lo.

Feito esse comentário, vale lembrar ainda que temos aqui todos aqueles elementos que as pessoas costumam apontar como motivos para elas gostarem de filmes de zumbis e eu devo reconhecer que tudo realmente é muito divertido. Sim, divertido, porque pelo menos com esse aqui eu não consegui ficar assustado. Romero nos mostra zumbis nojentos frutos de um bom trabalho de maquiagem, personagens carismáticos (o velhinho com a dinamite e a foice é aquilo que classificamos como épico) e um bocado de mortes violentas que são filmadas com todos os detalhes possíveis. O roteiro, que seguindo uma tradição do gênero não preocupa-se muito em explicar o que causou o ataque, desenvolve bem e prende a atenção do espectador durante a 1h35min do filme.

Se você, assim como eu, interessava-se pelo tema mas não tinha assistido muita coisa a respeito, Diário dos Mortos é uma excelente porta de entrada para conhecer esse mundo. Fica aqui a dica e o pedido de indicações de filmes (preferencialmente, aqueles que não sejam do Romero, já que esses eu devo ver de qualquer maneira) do gênero que valem a pena serem assistidos.

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  1. caro lucian estou lendo seus posts desde o inicio admiro muito seu ponto de vista vc é um cinéfilo inteligente e n é xiita estou esperando uma resenha de requiem for a dream do genial darren aronosfky abraço belo blog

    • Muito obrigado pelo comentário. Eu vi o Requiem para Um Sonho há um bom tempo na faculdade, acho que tá na hora de ver novamente e escrever alguma coisa sobre ele. Abraço 🙂

  2. Diário dos Mortos é sem dúvida o filme dos Mortos do século 21, mesmo o mestre dizendo que não é uma série e sim filmes independentes. Ok mestre, o senhor sabe fazer filmes de zumbis como ninguém e que venham mais.

  3. Lucian recomendo que assista ao filme Rec, o primeiro o segundo deixou a desejar, baixa renda, filme bom chega a ser um clássico. Não custa nada assistir a planeta terror, mais recomendo que vc leia uma resenha do filme e se gostar ai vc está obrigado a assistir ao machete, Valeu pela dica. Abraço

    • Assisti todos esses que tu citou, inclusive lembrei agora que estavam fazendo o terceiro Rec, vou procurar noticias aqui. Abraço e obrigado pelo comentário.

      • Olá, sobre o terceiro REC,, ele já foi lançado em alguns países e é muito bom!!! Recomendo, viu.

  4. Legal,so nao concordo quanto a parte dos “horriveis filmes da milla jovovich”!kkkkk Apesar de nao serem muito fieis a ao RES,sao bons filmes de açao por si mesmos,e eu gosto daquele mundo apocaliptico!:)

  5. Parabéns pelo seu trabalho, e como amante de filmes de zumbi e do gênero, sou obrigado a concordar com você a respeito dos filmes do RES, apesar de assistir e gostar as cenas são horríveis mesmo! Eu fico triste pois RE é de um potencial tremendo, porém pessimamente utilizado!

  6. eu gostei muito do Rec 3 é de zumbi tbm. Não tive curiosidade de ver os outros Rec,Mais quem gosta de filme com zumbi com certeza vai gostar desse!

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