O Vingador do Futuro (2012)

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Como O Vingador do Futuro é um remake, um comentário rápido faz-se necessário antes da resenha propriamente dita: eu não lembrava de praticamente NADA do filme de 1990 estrelado pelo Schwarzenegger antes de entrar na sala de cinema no último sábado (18/08). Eu coloquei “praticamente” ali porque eu sabia que tratava-se daquele clássico exibido exaustivamente pele Rede Globo nos Temperatura Máxima da vida onde retiravam uma “bolinha vermelha” do nariz do Schwarza e onde aparecia uma mulher com três peitos. Tendo isso em mente, fui ao Cinemark local mais para pegar a estréia da semana do que para revisitar um filme pelo qual eu tinha algum carinho. Como eu não esperava nada, não posso dizer que fiquei exatamente desapontado, mas há algo em O Vingador do Futuro que me incomodou profundamente que eu quero dividir com vocês.

Douglas Quaid (Colin Farrell) é um trabalhador em um mundo pós-apocalíptico onde restaram apenas dois territórios habitáveis: o próspero Reino da Grã-Bretanha e a “Colônia”, um local desolado e pobre localizado na antiga Austrália. Diariamente, Quaid e seus companheiros de serviço utilizam o meio de transporte conhecido como “A Queda” para atravessar o centro da Terra e dirigirem-se para as fábricas do Reino onde eles produzem os robôs que vão garantir a “segurança social” desse novo mundo. Inconformado com as desigualdades sociais que o cercam e assustado por pesadelos constantes onde ele é perseguido por robôs, o personagem decide procurar os serviços da Rekall, uma empresa que consegue introduzir na mente de seus clientes todo e qualquer tipo de memória. Optando por viver uma vida onde ele é um agente secreto, Quaid é surpreendido na hora do procedimento por agentes do governo que tentam eliminá-lo. Inicia-se então uma corrida frenética onde o personagem tenta descobrir sua verdadeira identidade e de quebra provocar alguma mudança naquele cenário onde ele está inserido.

Para ir bem direto ao ponto: eu DORMI durante o filme, perdi cerca de 15-20min do que aconteceu durante a sessão. Eu estava lá vendo um muito esforçado Colin Farrell pulando prá lá e pra cá em cima de uns carros futurísticos e, quando eu recobrei a consciência, ele já estava em um lugar completamente diferente escondendo-se de alguns tiros. Era sábado e ir ao cinema foi minha escolha para passar a tarde. Eu podia até não estar tão interessado assim na história, mas nem de longe eu esperava ficar tão entediado ao ponto de simplesmente apagar sentado naquela cadeira bizarra do Cinemark. Saí da sala, lavei o rosto e fiquei com a consciência pesada: como eu poderia resenhar um filme do qual eu perdi uns 20min onde poderiam ter acontecido revelações importantes? Voltei e o que eu vi na tela me deu autoridade moral para dizer que eu poderia ter dormido mais uns 30min sem prejuízo algum, O Vingador do Futuro simplesmente não tem razão para existir.

Leram a sinopse? Não é a premissa de uma boa história de ficção científica? Não é isso que esse filme oferece. Após a experiência desastrosa no cinema, conversei com amigos que gostavam (e lembravam) do filme original e li alguns reviews do mesmo na internet. Alienígenas, o planeta Marte e segredos obscuros compunham o cenário onde o Quaid do Schwarza distribuía alguns sopapos. Não só limaram grande parte desses elementos aqui como colocaram o comentário social da história em segundo plano em detrimento das cenas de ação. Aqui, vale lembrar que o diretor desse remake é o nosso amigo Len Wiseman, um cara que talvez tu já tenha xingado muito assistindo os filmes da série Anjos da Noite. Sabe aquelas cenas de ação frenética onde tu não consegue entender nada do que está acontecendo na tela? Esse cara é o primeiro nome que me vem na mente quando eu penso em alguém responsável por essas porcarias e O Vingador do Futuro está repleta delas. Atira daqui, bate dali, faz um movimento estiloso dali e quando tu vê cinco robôs foram vencidos antes que tu possa contar até três. Eu sei que muita gente não importa ou nem percebe esse tipo de coisa, mas hoje em dia eu não consigo deixar de ver essas cenas como um desleixo de alguém que opta por cortes excessivos em detrimento de uma boa coreografia para a cena.

Olha quem está de volta 😛

Ao priorizar a pancadaria, Wiseman cai em território óbvio e ainda escora-se em um título consagrado para levar outro filme genérico para o cinema. Os efeitos especiais são bonitos, temos a mulher de três peitos de volta (mesmo TOTALMENTE fora do conceito) e a Kate Beckinsale está menos irritante do que de costume, mas o Colin Farrell não foi uma escolha feliz para o papel, falta personalidade para as cenas de ação e as mesmas ocupam mais espaço na trama do que deveriam, afinal temos aqui (ou deveríamos ter) uma ficção científica com cenas de ação, não um filme de ação com alguns poucos elementos de ficção científica.

No mais, independente de qualquer coisa, fiquei triste comigo mesmo por ter dormido durante a sessão mas fiquei mais triste ainda com o fato de que a patente falta de criatividade do cinema blockbuster hollywoodiano venha resumindo-se cada vez mais a filmes 3D enganosos, filmes de ação com cenas medíocres e remakes. Com sites disponibilizando filmes para download quase que instantaneamente após eles serem lançados, fica claro que os estúdios estão cada vez mais precisando de títulos com retorno financeiro certo para cobrir as perdas de bilheteria (mesmo que essas influenciem mais os donos de salas de cinema do que os estúdios, enfim…) mas isso PODE e DEVE vir aliado a qualidade e a títulos novos, eu simplesmente me recuso a acreditar que a minha forma de arte favorita esteja cada vez mais vinculada ao lucro do que a produção artística em si. Desabafo feito, a vida segue e esse filme vai direto para o esquecimento.

Sr. Wiseman, eu digo NÃO pra você e isso que você entende por cinema

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