Os Doze Condenados (1967)

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Pense rápido: Filme onde um grupo de soldados insanos comandado por um major linha dura é enviado para a Alemanha com a missão de matar nazistas. Bastardos Inglórios, certo? É conhecido o fato do Tarantino ter trabalhado em uma locadora de filmes e com isso ter adquirido um vasto repertório cinematográfico, conhecimento esse que ele costuma usar em seus roteiros resgatando, homenageando e parodiando seus trabalhos favoritos. Bastardos Inglórios é um dos melhores filmes do diretor e possui várias cenas originais que o tornam único e especial, mas chega a ser engraçado o quanto ele é chupado assemelha-se ao Os Doze Condenados, filme de 1967 do diretor Robert Aldrich que trata exatamente de um grupo enviado para a Alemanha para matar aguns nazistas safados.

O grupo, como o título dá a entender, é formado por 12 homens condenados ou a pena de morte ou a incontáveis anos de trabalho forçado. Colocados sob o comando do rebelde Major Reisman (Lee Marvin), eles recebem a chance de livrarem-se de suas penas em troca de um pequeno “favorzinho”: invadir um castelo em uma região remota da Alemanha onde figurões do governo nazista reuniam-se para pequenas orgias. A eliminação dos alemães, acredita-se, desistabilizaria a base da máquina de guerra de Hitler e ajudaria os Países Aliados a vencerem o conflito. Sem muitas opções e desacreditado por muitos, o grupo (no qual incluem-se os atores John Cassavetes, Donald Sutherland e o imortal Charles Bronson) inicia um árduo treinamento para a missão suicida que pode lhes devolver a liberdade e a vida.

Eu não cheguei até Os Doze Condenados através de alguma possível referência ao trabalho do Tarantino. Eu li sobre ele no livro Cenas de uma Revolução, trabalho que o descreve como um filme sintomático da revolução cultural ocorrida nos EUA na década de 60 por trazer um soldado negro que “ousava” afirmar que a guerra dos “brancos não era problema seu” e que demonstrava um certo prazer em vingar-se de seus opressores em uma cena emblemática envolvendo alguns nazistas presos em um quarto sem saída e um pouco de napalm. O diálogo está lá e a tal cena é mesmo marcante, mas eu estaria sendo hipócrita se dissesse que, hoje em dia, esta provocação social ainda causa algum efeito. O valor histórico de Os Doze Condenados enquanto retrato de uma mudança social em curso é o mesmo que a série Sexta Feira 13 poderia ter enquanto manifestação nostálgica contra a futilidade adolescente. Não vejamos o Sr. Voorhees como um patrono do moralismo assim como não busquemos um foco da luta racial em Os Doze Condenados: esses elementos até estão lá, mas é a violência estilizada (e o humor negro) que dita as regras do jogo e fazem-no valer à pena.

O filme, que começa mostrando o treinamento que transformaria os condenados em soldados prontos para matar pelo governo americano, é polêmico mesmo para os padrões com os quais estamos acostumados. Os condenados brigam entre si, fazem festas com prostitutas e provocam um verdadeiro banho de sangue quando invadem o tal castelo. Traições, fanatismo religioso e corpos explodindo constrastam com cenas de humor onde, por exemplo,  um dos soldados finge ser um major e revista toda uma tropa enquanto seus amigos caem na gargalhada. As músicas, em sua maioria variações bem humoradas de temas militares, ajudam a reforçar esse lado cômico do filme, outro ponto onde o longa assemelha-se ao trabalho do Tarantino que também alterna momentos gore (lembram-se do Urso Judeu?) com cenas e diálogos hilários (Dominick Deccoco!).

Os Doze Condenados é um bom filme tanto para quem gostou de Bastardos Inglórios, pela oportunidade de ver uma de suas raízes (certamente não é a única) quanto para quem gosta desses filmes onde um grupo de sujeitos singulares é reúnido para dar cabo de alguma missão extravagante. Como me encaixo tanto na primeira quanto na segunda situação, curti e indico esse clássico banho de sangue para o leitor pouco sensível e ávido por um pouco de testosterona.

 

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    • Amigo, estou MUITO ocupado fazendo o curso de Controlador de Voo, então nem tem dado tempo de atualizar o blog 😦 Semana que vem vou tentar postar, estou com 3 textos para escrever rs Abraço

      • Tchxxx permissão para comentar tchxxx câmbio: Não sei agradecer com o mesmo talento de seus textos, mas a forma assumidamente pessoal com que escreve e principalmente trazendo obras de tempos distantes nos ajudam muito. Não sou único quando digo que todo dia visito esperando algo interessante, vou aproveitar pra reler… bom trabalho e obrigado. Abraço.
        “Ao infinito e além”

      • Já estou com o mesmo em mãos, graças a sua indicação. Se Bastardos & Inglórios foi baseado nele, o filme deve ser muito bom! Valeu pela sugestão.

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