Branca de Neve e o Caçador (2012)

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Hollywood tem um histórico de lançar trabalhos parecidos em proposta e roteiro em resposta à algum sucesso de bilheteria. Foi assim com os épicos que seguiram a esteira do Ben-Hur, com os musicais inspirados no A Noviça Rebelde, com todos os filmes obscuros e com finais violentos da década de 70 após os lucros gerados por Sem Destino e Bonnie e Clyde e, mais recentemente, todos os filmes de super herói possíveis graças as portas abertas pelo Homem Aranha do Sam Raimi.

Acredito que não falo só por mim ao dizer que fiquei feliz quando anunciaram a versão do Tim Burton para o clássico Alice no País das Maravilhas. O universo bizarro do diretor somados as viagens alucinógenas do trabalho do Lewis Carroll e ao talento do Johnny Depp eram a receita certa para um filme legal e para um sucesso de bilheteria. O resultado da bilheteria é inquestionável, visto que ele custou cerca de 200 milhões de dólares aos cofres da Disney e devolveu mais de 1 bilhão, já a qualidade… Alice é lindo de ser visto, os efeitos especiais e o universo imaginado pelo Burton não são nada menos do que fantásticos, mas a história é simplória demais, conseguiram reduzir todas as “viagens” do Carroll a uma lutinha do bem contra o mal e isso é decepcionante. De qualquer forma, ficou provado que o público estava disposto a gastar seu suado dinheirinho para assistir releituras de clássicos infantis e daí começaram a pipocar projetos nessa área. A Garota da Capa Vermelha revisitou sem sucesso de público e de crítica a história da Chapeuzinho Vermelho e agora chegou a vez do clássico Branca de Neve ganhar outra chance nas telas do cinema.

Digo “outra” chance porque, como pode ser visto aqui, a história nunca abandonou o cinema após o sucesso da empreitada do Walt Disney. Resgatando essa história, Branca de Neve e o Caçador mostra um reino onde a beleza da princesa Branca de Neve (Kristen Stewart) é alvo da inveja de sua madrasta, a feiticeira Ravenna (Charlize Theron). Ravenna, que quer permanecer bela e jovem para sempre, contrata o Thor Caçador (Chris Hemsworth) para liquidar sua enteada. O Caçador não apenas deixa de cumprir sua missão quanto como junta-se a Branca de Neve e aos Sete Anões (HA!) em uma batalha épica para livrar o reino dos domínios da feiticeira.

Dirigido pelo novato Rupert Sander, Branca de Neve e o Caçador é dos mesmos produtores de Alice no País das Maravilhas e possui praticamente os mesmos defeitos e qualidades: o conceito visual criado para o filme é fantástico mas todo o resto é entediante e, em alguns pontos, chega mesmo a ser ridículo. A floresta dos anões e a cena do cervo são lindíssimas, aqueles inimigos de vidro nascidos da magia da Ravenna são legais e as transformações da feiticeira em corvos (raven = corvo) impressionam, mas ao mesmo tempo temos as atuações sofríveis da Kristen Stewart (discursos patéticos e aquela boca aberta de quem levou um soco no estômago que ela vem fazendo desde o primeiro filme da Saga Crepúsculo) e da Charlize Theron (gritos e teatralidades absurdamente desproporcionais com o tom das cenas), personagens sem propósito (para que serve aquele William?) e cenas que não rendem o que poderiam (o banho de “leite” e a batalha contra o monstrengo acima são bons exemplos). Ah sim, ao saldo negativo também soma-se toda a sequência final.

Charlize Theron coberta de leite… hummmmm

Batalhas épicas, como aquela do Abismo de Helm do O Senhor dos Anéis, são muito legais. O problema é que, de uns anos pra cá, todo filme ambientado, digamos assim, na “idade média” tem NECESSARIAMENTE uma batalha dessas. É sempre alguém fazendo um discurso para inflamar um exército desmotivado, pessoas invadindo um castelo, chuva de flechas e etc. Eu não aguento mais ver esse último ato, cansei mesmo. Branca de Neve e o Caçador usa esse recurso e, como tudo sempre pode piorar, termina com uma cena ridícula onde os personagens ficam estáticos olhando para a tela por alguns segundos com uma musiquinha alegre no fundo para, em um corte tão suave quanto um tapa na cara, serem eclipsados pelos créditos finais.

Há um esgotamento natural quando os produtores começam a reutilizar uma idéia que deu certo para continuarem lucrando. Foi assim com o Cleópatra, com o Dr. Dolittle e com O Quarteto Fantástico, O Demolidor, Elektra e afins. Branca de Neve e o Caçador é mais um produto desse esgotamento, um filme nascido não como uma expressão artística mas sim como um projeto para ganhar dinheiro. Não sei o leitor, mas eu não vou mais no cinema para ver esses resgates de histórias infantis. Ah não ser, é claro, que recriem aquela história dos Três Porquinhos onde eles fazem uma máquina matadora de lobos. Sim, o lobo seria interpretado pelo Taylor Lautner.

Bella e Edward… ops, filme errado

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  1. Bom seu comentário sobre branca de neve e o caçador, e até construtivo, claro q mencionam a kristen, bom eu achei o fim colocar ela, pois comparando beleza nem d perto se iguala a da charlize, mas vc mencionou sobre o filme ser parecido, ou o diretor ter se inspirado em outros filmes, vc deve levar em conta q a idéia não foi. Mostrar as lutas medievais, e sim colocar uma nova versão uma em que por exemplo não era tanto a beleza de branca de neve q a rainha queria e sim seu coração pois ele a daria imortalidade e que a beleza e relativa, e nas batalhas mostrar q não foi fácil tomar e nem entrar no castelo para destronar a rainha, como e posto nos filmes anteriores.
    Achei q a única coisa errada no filme foi branca de neve q não foi a mis bela, o má uso da charlize theron, e aquela boca da kristen concerteza parece mesmo q levo soco, ela parecia q estava no crepúsculo, e triste como ela não se desprende dessa personagem…

  2. Bem, como estou sem tempo de ir ao cinema, optei pelo dvd.
    Este filme pelo elenco, achei que seria um bom filme…mas é uma decepção e das grandes.

    Os efeitos da floresta e da rainha se tranformando é maravilhoso, mas tem muitos erros no filme.
    vamos lá: o espelho magico no filme na verdade é uma bacia de aluminio gigante, que diz que (pasmen) a bela é mais bonita que a rainha (Charlize Theron), como assim?
    aquela menininha agua e sal de boa feia e olhar de sonolenta ser mais linda que Charlize Theron?
    A floresta que dizem ser perigosa, não é tão perigosa assim.
    O caçador é a cara, comportamento e postura de “thor”. Deveriam dar uma caracterização diferente pra ele, pra diferencia-lo do personagem da marvel.
    O final foi ridiculo e sem graça, e o uso dos anões muito mal aproveitada.
    Direção ruim, roteiro ruim e tudo feito as pressas com cortes bruscos.
    Em 3 minutos de filme o rei encontra a Charlize Theron, casa e morre, em tres minutos…. poxa.
    O tal william…sem comentario, e o caçador (thor) deveria ser nomeado cavaleiro da corte, ou daguarda, se la. por tudo que ele fez, nem um obrigado recebeu…

    Mais um filme, com bons efeitos e mal dirigido.

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