Os Vingadores – The Avengers (2012)

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Lembro de um final de tarde qualquer em que eu estava sentado na frente da minha casa conversando descontraidamente com o meu primo sobre filmes. Entre outras coisas, falavamos do padrão de qualidade e de inovação que o Matrix havia trazido para as cenas de ação e concordamos que dificilmente veríamos algo que causasse o mesmo impacto. Alguns anos depois, senti aquela mesma sensação de “embasbacamento” enquanto assistia o Avatar. Digam o que quiserem sobre as limitações (?) do roteiro ecologicamente engajado do James Cameron, mas as empolgantes cenas de ação somadas a inovadora experiência com o 3D garantiram para o filme o seu lugar na história do cinema e tranformou-lhe, por assim dizer, no blockbuster “a ser batido”. Muita coisa boa saiu depois, tanto no que diz respeito ao uso de efeitos especiais quanto na elaboração de cenas de ação de “tirar o fôlego”, mas ainda estava faltando um trabalho irrepreensível, um filme que, assim como Matrix e Avatar, fosse capaz de agradar crítica e público de modo que todos saíssem empolgados do cinema com a certeza de que um novo divisor de águas havia sido criado. Sexta-feira passada (27/04), eu fui ao cinema pela primeira vez desde que mudei para São José dos Campos-SP e testemunhei uma promessa que foi cumprida: Os Vingadores – The Avengers (doravante apenas Os Vingadores)  tinha tudo para ser o novo bambambam das telonas e é com muito prazer que eu posso usar esse blog para atestar o sucesso da empreitada da Marvel de levar seu maior grupo de super-heróis para as telas. Os Vingadores é DO CARALHO!

Lembram daquele cubo de energia azul que aparecia no filme do Thor e do Capitão América? Após ser derrotado pelo deus do trovão, Loki (Tom Hiddleston) vaga por outras dimensões e faz um pacto com criaturas poderosas e desconhecidas: em troca do governo de nosso planeta, ele roubaria o cubo (aqui chamado de Tesseract) para essas criaturas  e abriria um portal  para que elas pudessem vir até a Terra ajudá-lo na dominação. Diante de tal problema, o agente da S.H.I.E.L.D Nick Fury (Samuel L. Jackson) reativa o projeto Vingadores e reúne uma equipe formada por Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Hulk (Mark Ruffalo), Thor (Chris Hemsworth), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlet Johansson) para lidar com o perigo iminente.

Considerando os filmes onde os heróis apareciam individualmente (lembrando que a Víuva Negra e o Gavião Arqueiro não tiveram produções solo, tendo aparecido no Homem de Ferro 2 e no Thor, respectivamente), eu temia que a iniciativa de colocá-los juntos sofresse do mesmo problema enfrentado por todas as produções: a tal “luta final”. A falta de um confronto significativo próximo ao fim do longa fez os filmes do Homem de Ferro perderem parte do seu brilho, não deu uma chance para o Capitão América mostrar suas verdadeiras habilidades, diminuiu o potencial do desfecho do Thor e não forneceu um inimigo à altura do poder destrutivo do Hulk. E quando todos eles estivessem juntos, quem seria capaz de enfrentar os Vingadores e oferecer uma luta que usasse todo o poder de fogo dos heróis?

O diretor e roteirista Joss Whedon, cara que já trabalhou roteirizando HQs da Marvel, entendeu esse problema e nos ofereceu uma batalha gigantesca que dura quase 1 hora e dá oportunidade para todos os personagens utilizarem todas as suas habilidades no limite. As flechas do Gavião Arqueiro acabam, a armadura do Homem de Ferro fica toda danificada, o Capitão América fica gravemente ferido… Todos os heróis precisam suar para conter a invasão alienígena. Até o Nick Fury, personagem que até então ficara apenas no comando das operações, ganha oportunidades para demonstrar o porque de ele ser O cara da S.H.I.E.L.D. Outra coisa que Whedon entendeu bem, e que, para mim, fez TODA a diferença, foi o modo de filmar (ou, na maioria dos casos, gerar por computador) as cenas de ação. Apesar de termos cenas editadas freneticamente, a maioria das grandes sequências de ação do filme são mostradas em todos os detalhes. A câmera dança pelo cenário mostrando a trajetória de uma flecha lançada pelo Clint Barton e segue, sem cortes, acompanhando Tony Stark e Steve Rogers detonando o exército inimigo com uma bela combinação de suas habilidades. Tanto é algo verdadeiramente bonito de ser visto quanto vai dando uma crescente de emoção para tais cenas ao ponto de, nos ápices, a platéia torcer e vibrar com a vitória dos heróis.

Enquanto não estão atirando, quebrando e esmagando, os heróis estão procurando encontrar uma forma de trabalharem juntos e, como era de se esperar, brigando entre si. Esses momentos são, em sua maioria, levados por aquele humor refinado dos filmes do Homem de Ferro e funcionam muito bem. Assisti o filme duas vezes (na sexta e no sábado, 28/04) e nas duas sessões a platéia riu muito das piadas, dentre as quais eu destaco a do Galaga (genial) e o alinhamento com a cultura pop do Tony Stark ao citar o Legolas. Dentre a pancadaria que rola entre os heróis está um dos únicos “furos” do filme, um confronto entre Homem de Ferro, Thor e Capitão América que acaba de forma inexplicável e é cortado para uma cena de calmaria que faz a lutar perder todo o sentido.

Finalizando, devo pedir ao leitor para que substitua as minhas impressões sobre o filme por aquelas que ele adquirirá indo no cinema. O 3D, infelizmente, não faz muita diferença, mas estamos diante do que há de melhor e mais refinado no cinema blockbuster atual, um filme que deixará o público mais exigente e contribuirá positivamente para a elevação dos níveis de excelência dos efeitos especiais e dos roteiros dos filmes de ação. Sei do peso dessas palavras e, justamente para não pronunciá-las em um momento de empolgação, esperei cerca de uma semana para escrever essa resenha, tempo que eu usei para refletir sobre o os filmes que foram lançados nos últimos anos e minha reação diante deles. Minha opinião não mudou: Os Vingadores é um divisor de águas no cinema de ação, o blockbuster que, devido a sua qualidade e sua bilheteria, será o filme a ser superado daqui para frente. Quem sabe a sequência, que é anunciada pela cena inserida durante os créditos (e é uma cena DO CARALHO se tu reconhecer aquele rosto, coloquei uma dica “escondida” na resenha, procura aí :p), consiga tal proeza.

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  1. Letras em negrito.

    Desculpe, sou mestre em engenharia.

    Estou ansioso para assistir. Qdo sair em DVDRip eu baixo.

  2. Pelo que eu entendi a luta entre Thor, Homem de Ferro e o Capitão America acaba depois que a galera fica zonza com o choque entre o martelo e o escudo!
    Assiste denovo que você vai ver que ate o Thor da uma balançada na cabeça quando ele chega perto dos outros dois!

  3. Cara gostei muito do filme…. sem palavras….. todos estavam muito bem… mas o Hulk rouba a cena….. O mais engraçado, que hoje vi uma matéria que os vingadores foi a melhor estreia que já houve em um final de semana nos EUA…. será que um dos fatores foi a estratégia de lançar primeiro em outros paises? Mais uma coisa… alguém leu os comentários da crítica sobr eo filme na revista veja???? o cara come o que tem dentro do vaso…. aposto que é um fã de dramas não sei mais o que….. como a veja pode ser tão burra de ter apenas um critico de cinema???

  4. Putz! Qual sua idade? 11 anos? O filme é totalmente sem bom roteiro, tipo, tiro, bomba, explosão, efeito especial x 12334… tá longe! Muito longe de ser algo significativo para o cinema como forma Star Wars, 2001 e Bladerunnner…

  5. Para quem não gostou do filme, ou fica ae criticando o “filme sem roteiro” e tal, digo que as comics viraram um tipo de arte, reconhecida no mundo inteiro, e com legiões enormes de fãs. Eu cresci lendo essas historias, e poder ver no cinema filmes que traduzem para a realidade aquelas historias, é magico! Meus filhos sao felizardos, de poderem ver estes tipos de filme hoje em dia. Ah, também gosto de filmes como O Artista, o espião que sabia demais, e tantos outros cabeças… Tem espaço para todas as manifestações de arte! Desculpa ae… E só para registrar, tenho 39 anos!

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