A Rainha do Castelo de Ar (2009)

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Este é um texto que eu não gostaria de escrever. Gostei muito do sueco Os Homens Que não Amavam as Mulheres e da versão americana orquestrada pelo David Fincher. Ainda sem paralelo hollywoodiano, A Menina que Brincava com Fogo não possui a “pegada” de seu antecessor mas ainda sim é um bom filme, uma continuação cujos elogios e críticas devem-se igualmente a mudança no foco da narrativa que priorizou mais a ação. Finalizando uma história que, em tese, deveria ter rendido ainda um quarto livro/filme, A Rainha do Castelo de Ar retrocede ao ritmo cadenciado do primeiro longa, com as investigações capitaneadas pelo Mikael Blonkvist (Michael Nyqvist) voltando ao centro da história. Eu, que havia desejado e sentido falta desses elementos em A Menina …, vi meus anceios transformarem-se em um anti-clímax decepcionante nas mãos do diretor Daniel Alfredson.

Após uma curta (e inútil) recapitulação dos eventos do último filme, vemos os desdobramentos da fúria desencadeada por Lisbeth Salander (Noomi Rapace) contra o pai. Internada em estado grave e acusada de tentativa de homicídio, a hacker corre perigo de vida quando pessoas ligadas ao passado obscuro de seu pai planejam uma queima de arquivo. Blonkvist começa a reunir provas para ajudar a amiga enquanto o gigantesco Niederman (Micke Spreitz) espera pelo melhor momento de desferir seu ataque definitivo.

Gostei da Salander desde o momento em que ela apareceu no primeiro fime. Dona de uma história digna de um filme de terror barato, a personagem escolheu não transformar-se em uma vítima: Lisbeth sabe-se defender melhor do que muito marmanjo por aí e devolve as ofensas e pancadas que recebe da vida no ato. Notável, gritante até, é o visual adotado por ela, uma espécie de “foda-se o que você pensa sobre mim” transformado em moda. Confesso aqui que grande parte da minha motivação ao fazer minha segunda tatuagem veio depois de assistir o filme do Fincher. Em A Rainha do Castelo de Ar, filme onde a “verdade” deveria triunfar sobre o valores como preconceito, medo e poder político, Salander tem seu momento de redenção prejudicado, ao meu ver, pela má condução do diretor para momentos que deveriam ter muito mais impacto do que aquilo que é visto. O julgamento, parte central da reviravolta escrita pelo sueco Stieg Larsson, é correto demais, limpo demais, toda a revolta e agonia que poderiam ser esbravejadas ali são apresentadas de forma contida e banal. O “confronto final” entre Lisbeth e Niederman é outra cena chave que acontece em ritmo de tartaruga e, apesar de conferir alguma realidade a luta, carece de emoção e de ousadia, “chato” é pouco para definir aquele lenga-lenga com as caixas empilhadas.

Como eu disse, não há sequer um pingo de prazer nesse que vos escreve em condenar o filme, muito pelo contrário, foi grande o pesar quando, no meio de tantos nomes e referências que o roteiro confuso joga na tela, eu percebi que não estava gostando do que estava vendo. Dadas como incertas, torço para que as continuações da versão americana saiam do papel e, assim como aconteceu com o Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, sejam melhores do que as originais.

ISSO é atitute, o resto é resto.

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  1. Eu não li nenhum dos livros, mas acho que sua decepção pelo fechamento dessa trilogia se deve ao falecimento do escritor antes de concluir a sua obra, que diga-se de passagem, é genial. Pelo que li em algum lugar, seriam 10 edições… Mas felizmente ou infelizmente só foram possíveis a publicação dessas três edições. Estou com o filme a algum tempo, mas não o vi ainda! Com essa análise aí, fiquei curioso agora! rsrsrsr

    Abraço! Ótimo texto!

  2. Uau Lucianf, achou isso mesmo do filme? que pena eu amei toda a trilogia. Antes de começar a assistir ao primeiro filme fiquei muito receosa, pois já estava meio que acostumada a verem estragar ótimos livros com produções medíocres, mas me surpreendi com esses filmes, pois eles foram realmente fieis ao livro, mudaram pouquíssimas coisas que não influenciam em nada. Convenhamos que a passagem do livro para o filme mudam algumas coisas (senti muito a falta das partes solos da Lisbeth invadindo os computadores, mas tudo bem nada é perfeito).

    Não seja tão duro, foram produções maravilhosas….a parte das caixas..srsrsrsrsr….dá um desconto a garota era muito pequena para o Niederman….bjsss

  3. Por que os críticos sempre gostam de valorizar as versões americanas de grandes obras? Veja por exemplo a versão americana da comédia franco-italiana A Gaiola das Loucas, simplesmente deprimente, dá para entender porque não fizeram a trilogia americana.
    Assisti a todos os originais suecos (e li os livros), não acho que a versão americana (mesmo com o grande Fincher) seja melhor que a sueca.

    • Não posso responder pelos “críticos”, apenas por mim. Porque eu achei melhor? Achei a narrativ mais enxuta e o visual mais impactante. Não é uma regra, é um caso bem específico para esse filme. No mais, obrigado pelo comentário.

  4. Não encontro ‘A Menina Que Brincava Com Fogo’ ou ‘A Rainha do Castelo de Ar’ em DVD. Gostei muito do capricho da edição de ‘Os Homens Que Não Amavam as Mulheres’.

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