Hellraiser 6 – Caçador do Inferno (2002)

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Após os eventos do Hellraiser 3, os responsáveis pelo direcionamento da série optaram claramente por realizar filmes cujas únicas ligações entre si seriam os Cenobitas liderados por Pinhead e a mitologia inerente a eles. Essa liberdade criativa rendeu aquele vergonhoso cenário espacial do episódio 4 e, de certa forma, também foi responsável pelo que há de melhor no Inferno, filme onde levaram o terror de Pinhead para a vida de um cidadão cujos desejos e desvios de conduta, de certa forma triviais, aproximavam o espectador da história e, portanto, poderia genuinamente amedrontá-lo e fazê-lo refletir. Optando por um meio termo, Hellraiser 6 – Caçador do Inferno traz uma velha conhecida dos fãs interagindo com um personagem completamente novo, com o foco narrativo nesse último. O detalhe aqui é que o filme nasceu de um roteiro que não havia sido escrito para a série: aproveitando o apelo dos personagens criados pelo Clive Barker, a Dimension Films, proprietária dos direitos do tal roteiro, solicitou que o mesmo fosse reescrito para incluir Pinhead e cia na história com a intenção de transformá-lo no sexto episódio da franquia.

O filme abre com uma cena onde um casal viaja de carro em um clima de reconciliação. Um beijo prolongado tira a atenção do motorista e provoca um acidente em que o carro bate a atravessa a grade protetora de uma ponte caindo dentro de um rio. Trevor (Dean Winters) consegue desvencilhar-se do sinto de segurança e escapa, mas seus esforços não são suficientes para salvar a vida da esposa (Kirsty Cotton que retorna a série interpretada pela Ashley Laurence), a qual afoga-se diante de seus olhos. Trevor acorda então em um hospital e, sem memória, tenta reconstituir mentalmente o momento do acidente. Pressionado pela polícia, que diz não ter encontrado nenhum corpo no rio, Trevor começa a sofrer alucinações onde as pessoas ao seu redor morrem em eventos ligados a um cubo misterioso.

Lançado diretamente no mercado de vídeo doméstico, Caçador do Inferno é daqueles projetos cujo retorno financeiro garantido a priori dispensa a preocupação com a qualidade do que será oferecido. Dirigido por um sujeito chamado Rick Bota (risos), o roteiro pensado inicialmente para ser um filme de suspense psicológico qualquer sofre para conseguir lugar para os Cenobitas. Pinhead demora muito para aparecer na história e, quando o faz, não lembra em nada aquele ser infernal e ensandecido dos primeiros filmes. Um Doug Bradley velho e cansado surge na tela murmurando frases batidas sobre prazer e dor e orquestra o trabalho de Cenobitas pouco inspirados visualmente. A falta de inspiração, aliás, estende-se as cenas de morte, que são poucas, mal executadas e carentes do impacto que deu fama a série em seus primórdios.

A historia, além de não agradar e possuir uma infinidade de clichês do gênero (situações de perigo que terminam com o personagem acordando de um pesadelo, pessoas bizarras falando em tom enigmático, etc), Caçador do Inferno reserva uma reviravolta para o final que, além de não corresponder ao modus operandi dos Cenobitas, faz parecer que tudo o que aconteceu durante o longa não passou de uma “pegadinha” de mal gosto. Quando os créditos finais são introduzidos com a delicadeza de um chute na cara, o alívio pelo fim da tortura só é proporcional a sensação de frustração diante de outro trabalho que não é digno do nome que carrega.

“Vovô” Pinhead

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  2. Esse Hellraiser 6 é o famoso “fundo do poço de uma franquia de horror”. Nem digo pelo fato de ter sido lançado para o mercado de dvd, pq desde o fim dos anos 90, a indústria do horror praticamente foi sumindo quase que totalmente dos cinemas, restando apenas as produções picaretas e caça-níquel em sua maioria. O primeiro sinal de algo errado desse Hell 6 é o roteiro que se não tivesse Pinhead e cia, funcionaria perfeitamente como um filme de horror psicológico. Até ignorei a presença de Ashley Laurence e lamento que ela tenha aceitado participar desse filme. Finjo que a Kirsty desse filme é outra, rs, pq de fato, é uma insulta a trama original. Além do roteiro que não é Hellraiser, ainda botaram um diretor medíocre, que chupou as idéias do Hell 5 e tentou (em vão), homenagear o original em algumas cenas. Salvo o elenco, realmente carismático e a trilha-sonora, o resto, dispensável!

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