Desejo de Matar 5 – A Face da Morte (1994)

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Lembro-me que, quando acumulei bagagem cinematográfica suficiente para indentificar fórmulas e clichês comuns nos filmes, eu adorava crucificar o Steven Seagal e seus filmes cujos cartazes sempre traziam o ator com uma arma na mão e uma explosão no fundo. Acrescentando o argumento de que o roteiro sempre era movido por uma vingança contra aqueles que, logo na primeira cena, assassinavam sua famíla, eu tinha um alvo fácil para treinar minhas ironias. É claro que, apesar de conter um fundo de verdade, essas brincadeiras baseiam-se mais na vontade de fazer piada com o ator do que no conhecimento de sua fimografia (aliás, quem em sã consciência daria-se ao trabalho de ver todos os filmes do Seagal?). Essas observações também são válidas para outro ator comumente associado a “estereótipo”, o bigodudo Charles Bronson.

Cresci ouvindo um tio comentar que “o Bronson é mau, ele atira na cara dos bandidos” e que “em todo Desejo de Matar a mulher do personagem morre“. Um dia desses eu me perguntei se isso era verdade e cá estou eu, cinco longas depois, comentando o Desejo de Matar 5 – A Face da Morte, último filme da série do vigilante Paul Kersey.

Primeiramente, devo dizer que o tal tio estava certo: Bronson é mau e sempre está atrás do sangue daqueles que mataram suas muitas e improváveis namoradas. Ao longo da série, ele não apenas atira “na cara” de bandidos como os explode com lança-granadas, lança mísseis  e carrinhos de controle remoto além de arremessá-los de prédios e matá-los com docinhos envenenados (!). Com seu bigode sensual e seus olhos semi-cerrados, Bronson conquista o amor de cinco mulheres em cinco filmes, um número que é igualado em termos de absurdo apenas pela quantidade de funerais em que ele comparece para enterrá-las sem derramar uma lágrima sequer.

72 anos, beijando e matando!

O que começou como um filme interessante por condensar uma questão social polêmica da década de 70, transformou-se em uma espécie de paródia de si mesmo já no segundo filme. Apostando na aceitação do público tanto do ponto de vista desenvolvido na trama (bandido bom é bandido morto) quanto do carisma do personagem, a história arrastou-se com bons e péssimos momentos até esse Face da Morte, filme onde Kersey (Bronson, cujo salário foi maior do que todo o orçamento do filme) conhece uma nova mulher, vê ela morrer vítima da ação de criminosos e, diante da inércia da lei, descide agir por conta própria. É EXATAMENTE o mesmo esquema dos outros filmes mas aqui nem deram-se ao trabalho de maquiar a situação com uma vizinhança problemática ou quadrilhas de tráfico de drogas. As poucas particularidades do roteiro encontram-se na construção dos vilões, que vão desde o clichê “mafioso italiano fanfarrão” até um sujeito que possui caspa. Sim, meus amigos, um vilão com caspa!

Como todo fã do diretor italiano Sérgio Leone, nutro uma simpatia pelo Bronson devido a sua participação no clássico Era Uma Vez no Oeste. Diferentemente de outros atores que também trabalharam com Leone, como o próprio Clint Eastwood (que, aliás, também encarnou um vigilante, o polêmico Dirty Harry), Bronson acabou transformando-se em uma lenda trash e muito disso deve-se a série Desejo de Matar. Sim, é engraçada a canastrice do personagem e a repetição exaustiva do argumento tem o seu lado humorístico mas, visto fora desse aspecto indiretamente cômico, o ator está incomodamente posicionado ao lado do Sr. Seagal na história do cinema.

HA!

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  1. LUCIANF, ainda que com muito atraso, permita que eu faça um pequeno reparo: Bronson não é mal, é MAU! Entenda, MAL é advérbio, MAU é adjetivo; MAL opõe-se a BEM, MAU opõe-se a BOM. Fora esse pequeno grande equívoco, sua crítica é ótima e vc esc reve muito bem. E antes que eu esqueça, sinta-se livre para suprimir meu comentário, que tem um caráter meramente informativo e não se dirige aos seus leitores.
    Abraço.

  2. Pingback: Busca Implacável 3 (2014) | Já viu esse?

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