Uma Vida Melhor (2011)

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Minha vontade de ter um filho vem diminuindo exponencialmente nos últimos anos. Tive contato profissional com o processo de educação infantil e percebi que é preciso mais do que apertos na bochecha e DVD’s da Galinha Pintadinha para educar uma criança, não sei se eu poderia assumir tamanha responsabilidade nessa altura da vida. Mais do que isso, tenho um medo sincero de ter um filho em um mundo onde aparência vale mais do que caráter, onde a falta de educação e bom senso imperam e onde drogas e músicas que fazem apologia ao crime a bandidagem estão em cada esquina no bolso e na boca de um sujeito qualquer com um bonezinho de croche. Não, não estou contradizendo o que eu acabei de dizer sobre aparência, quem usa boné de croche NÃO tem caráter!

Brincadeiras à parte, esses medos e dúvidas inerentes ao processo de educação estão muito bem representados nesse trabalho do diretor Chris Weitz. Em Uma Vida Melhor, o indicado ao Oscar Demián Bichir vive o mexicano Carlos Galindo, um homem comum que atravessou a fronteira americana com o sonho comum de prosperar economicamente. Abandonado pela esposa, Carlos vê-s sozinho na tarefa de educar o filho (José Julián), um adolescente usuário de drogas que não demonstra nenhuma vontade de estudar e que está envolvido com membros de gangues locais. Sonhando com um vida melhor e tentando aproximar-se do filho, Carlos contrai uma dívida com a irmã e compra uma caminhonete para iniciar um suado mas rentável trabalho de jardinagem.

Uma Vida Melhor mostra as dificuldade passadas pelos imigrantes mexicanos nos EUA e esboça uma ou outra reflexão sobre delinquência juvenil, mas não há dúvidas que o tema principal seja o processo de criação e educação. Carlos é um desses super heróis reais, sem capa e sem cueca por cima da roupa, que o cinema nos apresenta regularmente: com uma paciência infinita e uma sabedoria advinda das dificuldades do dia-a-dia, o personagem trabalha arduamente para tentar conseguir pagar uma escola melhor para o filho e, quando este trata-o mal, responde de forma firme mas carinhosa. É bonito e inspirador ver um pai arriscando a vida diariamente para sustentar o lar e ensinando o filho através do exemplo (Quer dinheiro? Trabalhe. Prometeu? Cumpra. Cometeu um erro? Assuma), mas também é justamente isso que me fez ver Uma Vida Melhor como um filme um tanto quanto desesperador.

Um evento ocorrido durante a história estimula a mudança de comportamento do filho problemático, o que é perfeitamente compreensível quando consideramos a necessidade de criar uma narrativa chamativa com algumas reviravoltas. O que é desesperador? Desesperador é pensar que todo o exemplo fornecido pelo caráter formidável do pai só surtiu efeito APÓS uma situação extrema. Aplique isso a vida real e temos um senhor abacaxi para ser descascado.

De  qualquer forma, se é para indicar um caminho, Uma Vida Melhor indica um que não garante êxito mas que ainda é o que julgo como melhor e mais aplicável: menos orgulho, mais amor e retidão na hora de educar.

O velho e bom “exemplo” falando mais alto do que discursos moralistas

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