Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (2011)

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Diverti-me muito assistindo a adaptação hollywoodiana do David Fincher para o hit sueco Os Homens Que Não Amavam as Mulheres e pretendo fazer dessa resenha uma extensão dessa diversão, uma narrativa descompromissada sobre o filme e também sobre alguns episódios curiosos ocorridos durante a sessão que eu compareci. Para os interessados em algo mais geral e objetivo sobre o longa, basta clicar aqui e ler o texto sobre o filme original, a trama é essencialmente a mesma.

Assisti Millennium logo após sair da sessão do J.Edgar e pouco antes de ver Os Decendentes. Sim, passei o dia inteiro dentro do cinema e isso foi uma das coisas mais divertidas que eu fiz nos últimos meses. Apagadas as luzes, o que saltou aos olhos (e atacou os ouvidos) logo de cara foi a abertura MEGA ESPETACULAR (exagero consciente, clique aqui e fique tão empolgado quanto) criada para o filme. Ao som de um cover modernoso da Immigrant Song do Led Zepplin, cortesia de uma pareceria entre o Trent Reznor e a Karen O, imagens que remetem a cultura cyber punk  são jogadas na tela denunciando algumas das cenas que estão por vir. Acreditem, não há palavras e elogios suficiente para descrever como é assistir essa abertura no cinema, é legal PRA CARALHO. Terminado esse orgasmo visual/auditivo, o filme começa apresentando rapidamente os personagens Mikael Blomkvist (Daniel Craig) e Lisbeth Salander (Rooney Mara). Já familiarizado com os dois, aprovei instantaneamente as escolhas dos atores e diverti-me com a reação do público frente a “singularidade” da Lisbeth e seu moicano estiloso. Aqui entre um gigantesco porém.

Da próxima vez eu faço uma aqui!

Antes do filme começar, notei que algumas adolescentes insistiram com a funcionária do cinema e conseguiram driblar a censura de 16 anos do longa. É bem provável que elas sejam leitoras precoces dos livros do Stieg Larsson ou que tenham lido algo à respeito das cenas polêmicas do filme. O público todo entrou na sala, o filme começou, cena vai, cena vem e começa a famosa cena do estupro. Entendo que a mente feminina tenha dificuldades em assistir esse tipo de violência, ainda mais porque o Fincher teve culhões e não poupou nenhum detalhe do momento, mas é complicado estar em uma ambiente onde as pessoas não conseguem apenas pensar/sentir algo, parece haver uma necessidade incontrolável por parte do público feminino/adolescente de verbalizar essas emoções, uma reação que não condiz com um ambiente onde é necessário (e paga-se por) silêncio. Resultado: após alguns shhhhh! e olhares demoníacos, realizei um sonho antigo e chamei uma funcionária do cinema para pedir silêncio ao grupo formado por 5 moçoilas que encontravam-se sentadas próximas a mim. Não engana-se, leitor. Ao contrário do que pode parecer, não sou um homem que não ama as mulheres, tanto que nesse dia eu estava muito bem acompanhado pela minha noiva, mas, até mesmo motivado pela selvageria da Salander, eu adorei chutar o pau da barraca e exigir respeito. Funcionou 🙂

Passada essa perturbação, mergulhei pra valer naquele mundo frio repleto de longas estradas desertas, nazistas, propagandas da Coca-Cola e pessoas misteriosas. O David Fincher conseguiu a proeza de deixar a história mais clara e mais envolvente do que aquela vista no filme original. Ainda considero a Lisbeth Salander o grande atrativo do filme, mas essa versão hollywoodiana pode reivindicar para si o mérito de ter uma narrativa mais funcional do que aquela do diretor Niels Arden Oplev. O mistério do sumiço de Harriet, pedra-toque do roteiro, é apresentado de forma mais didática aqui, o que facilita muito a compreensão da trama e dá a chance do espectador prestar atenção nos outros atrativos da história, entre eles a própria Salander. Lisbeth não é exatamente bonita, mas sua energia, loucura e força transformam-na em uma das personagens mais sedutoras e carismáticas dos últimos anos, ícone instantâneo da rebeldia pós-moderna.

Saí da sessão de Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres com algumas certezas:

  1. Eu quero fazer outra tattoo
  2. Remakes podem ser tão ou mais legais do que os originais
  3. Piercing no mamilo é sexy
  4. Este filme representa uma quebra com certos valores e padrões que Hollywood DEFINITIVAMENTE deveria seguir
  5. Ás vezes, mas só as vezes, é MUITO bom mandar alguém calar a boca 🙂

    A Lisbeth Salader da Rooney Mara

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  1. um dos poucos casos onde o remake(na verdade não é bem um remake, é a propria versão do Fincher sobre o livro) supera o original.

    Filme perfeito, e quando vi a abertura senti a mesma coisa que você, uma das melhores que ja vi. Millenium é um filme bem pesado, apresentando um cenário mórbido com personagens sombrios, o diretor e nem os atores se seguraram nas cenas mais pesadas, em tempos em que o cinema só se preocupa em amostrar felicidade, piadinhas sem graça para disfarçar o roteiro ruim e personagens clichês acho que Millenium é exatamente o que o nosso cinema de hoje precisa, com certeza um filme que foge dos padrões Hollywoodianos, e David Fincher só esta se firmando como um dos meus diretores favoritos cada vez mais.

    Sabe se o filme foi bem nas bilheterias?

    Espero ansiosamente pela continuação, se não me engano é a menina que brincava com fogo

  2. Sim, a continuação é A Menina Que Brincava Com Fogo. Sobre a bilheteria, li em algum lugar ai que foi abaixo do esperado mas que as continuações estavam garantidas 🙂
    Abraço

  3. vou ver a versão sueca daqui uns dias, mas eu gostei bastante dessa versão americana, mas tenho ouvido opiniões dzendo que a sueca é bem melhor. E me impressionei com aquela mulher. magrinha, não dava nada por ela, mas QUE bundinha, hein? hahaha. sensacional.

  4. Pingback: A Rainha do Castelo de Ar (2009) « Já viu esse?

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