Hellraiser 5 – Inferno (2000)

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Dia desses, a Lions Gate, empresa que comprou a Summit Entertainment (e que portanto detêm os direitos da série Crepúsculo), cogitou continuar a produzir filmes da franquia após o Amanhecer Pt.2. O raciocínio do executivo é simples e direto: como deixar de lado uma série que rende 700 milhões de dólares por filme? Investir na idéia que já deu certo pode parecer uma característica do cinema atual com filmes como Piratas do Caribe 4 e Velozes e Furiosos 5 (Tintim traz trailers do Madagascar 3 e do Era do Gelo 4), mas não faltam exemplos de filmes antigos que ganharam várias sequências como o Tubarão, A Hora do Pesadelo, Sexta Feira 13 e o Rocky.

A continuação em si não constitui necessariamente um problema (apesar de todo o patriotismo bobo, eu adoro o Rocky IV), a questão é que a maioria das sequências atuais não tem nenhum motivo de existirem a não ser o aspecto financeiro (Piratas do Caribe 4 é um exemplo explícito disso). Se muitos roteiristas precisam rebolar para pensar em motivos para justificar uma única sequência (O Poderoso Chefão II é baseado em praticamente um único capítulo do livro O Chefão e é uma obra inquestionável), imagine a quantidade de fusíveis queimados necessários para conceber e dar decência para o quinto retorno de um mesmo personagem. Geralmente, os roteiristas optam por:

  • Criar um novo inimigo/desafio e repetir descaradamente a estrutura narrativa do primeiro longa. Ex.: Série Highlander.
  • Mudar o personagem de cidade, aumentar as mortes, explosões, frases de efeito ou quaisquer coisas que fizeram o primeiro filme funcionar. Ex.: Série Desejo de Matar.
  • Exercitar o tico-e-teco e usar os personagens para abordar todas as problemáticas possíveis de sua “mitologia”. Ex.: Série Dirty Harry.

Ok, existem outras formas de fazer uma continuação, mas, para analisar o que Hellraiser 5: Inferno significa para a série, essas 3 são suficientes. Pinhead começou matando todo mundo de medo dentro de um quarto. Foi para o inferno em Hellraiser 2, para uma boate em Hellraiser 3 e para o futuro (e para o espaço) em Hellraiser 4. Já tendo esgotado as possibilidades de mudar o personagem de lugar/tempo e de colocá-lo em um novo “desafio”, chegou a hora de pensar o personagem sob uma nova perspectiva.

O detetive Joseph Thorne (Craig Sheffer) é um policial corrupto e um marido infiel. Ele rouba dinheiro das cenas de crime e, alegando estar ocupado com o trabalho, abandona mulher e filho em casa para deitar-se com prostitutas. Certo dia, Thorne encontra e ativa a Configuração dos Lamentos e daí em diante ele passa a ser assombrado pelo Pinhead (Doug Bradley) e por uma figura misteriosas (algo parecido com o clássico Cenobita Chattering) e vê todos aqueles que o cercam serem violentamente assassinados.

Nos 4 primeiros filmes, Pinhead aparece principalmente para punir pervertidos sexuais e pessoas egocêntricas. Joseph Thorne encaixa-se nessa descrição? Sim, mas o que diferencia o personagem e essa sequência é que aqui estamos falando de punição devido a uma degradação moral completa, do “inferno” que nós metaforicamente criamos para nós mesmo e para aqueles que nos cercam através dos nossos erros. Pinhead aparece pela primeira vez no filme aos 46min e tem seu papel modificado: diferente do Cenobita sádico louco por sangue do Hellraiser 3, por exemplo, aqui o personagem representa uma espécie de juiz para a vida de Thorne, um ser demoníaco cuja invocação sela um destino previamente comprometido. Essa abordagem mais alegórica e psicológica é algo bem diferente daquilo que eu estava acostumado a esperar do personagem, mas o ótimo roteiro e o final inteligente e agoniante (talvez o melhor da série até aqui) fazem essa mudança valer a pena.

Dirigido por Scott Derrickson, o responsável pelo excelente O Exorcismo de Emily Rose, Hellraiser 5: Inferno é tudo que a série precisava para continuar após o péssimo Hellraiser 4, um filme que, antes de apoiar-se na fama de seus personagens para gerar lucro para os produtores, preocupou-se em desenvolver uma boa história para agradar os fãs da série.

Thorne sendo atormentado pelos Cenobitas

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  1. Pingback: Hellraiser 6 – Caçador do Inferno (2002) « Já viu esse?

  2. PERAÌ PERAÌ…esse é o único bom da série!
    O 1 é de boa idéia mas de direção patética…o fim com a garota domando o cubo de qq jeito e aniquilando os cenobitas foi de doer….o 2 é loucaço!!!Tudo é motivo pra sangue…uma briga entre lideranças capetais…umas meninas meio que gênias burlam os seres do mal…é engraçado até!!Parece Evil Dead 2…Hellraiser 3 e o 4 são horrorosos…Maaaaaaaas…esse 5 aí não! É muito bom…não é um’A Casa da Noite Eterna, um Exorcista ,uma trilogia da Profecia e muito menos um Dracula de Coppola Stoker mas vale a pena.

  3. Fiquei muito surpreso com Hellraiser 5 e a gente vê a diferença que um bom diretor como Scott Derrickson faz, mesmo com um orçamento modesto. Acho que depois de explorar a mitologia Hellraiser ao extremo (Cenobitas em Hell 2, Pinhead em Hell 3, Cubo em Hell 4), não restava alternativa para a série, a não ser voltar ao começo, a simplicidade do primeiro filme, com novos personagens e novas perspectivas. A narrativa ficou interessante e bem funcional com a proposta mais psicológica do filme, ainda sim, mantendo a atmosfera sombria, mórbida e devassa da série. Filmão, vale a pena!!

    parabéns LucianF!!

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