Sede de Sangue (2009)

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Filmes de vampiro, quando feitos levando em consideração a mitologia dos mesmo, costumeiramente encaixam-se dentro do gênero do terror. A sensualidade e o romance, características secundárias que enriquecem essas histórias, recentemente assumiram o papel principal da narrativa nos livros da Stephenie Meyer e provocaram a ira de muita gente. Sede de Sangue, último trabalho do cultuado diretor Chan-wook Park (Trilogia da Vingança, Zona de Risco) também mostra  os vampiros através de uma perspectiva “romântica”, mas acredito que é justamente em sua multiplicidade de gêneros, aos quais juntam-se o próprio terror e a comédia, que ele conquista a admiração mesmo do espectador mais exigente.

Kang-ho Song, figura frequente nos trabalhos do diretor, vive o padre Sang-hyeon, um homem que voluntaria-se para testar vacinas contra um vírus que está matando várias pessoas em seu país. O padre adoece terrivelmente durante o processo e, à beira da morte, recebe uma transfusão de sangue que tanto lhe salva a vida quanto transforma-o em vampiro (!). Assombrado pela necessidade de beber sangue mas venerado pela população que passa a vê-lo como uma figura milagrosa, Sang-hyeon luta contra seus instintos quando é convidado por uma mãe desesperada para “curar” seu filho enfermo. Lentamente dominado pela sede e pela mulher do doente, a sedutora Tae-ju (Ok-bin Kim), o padre assume sua nova realidade e tenta encontrar uma forma de conciliar suas novas necessidades com sua antiga bondade e senso de sacrifício.

Sede de Sangue tem poucas cenas de terror, os momentos onde há sangue e violência são raros mas, no final das contas, isso acaba contribuindo para torná-los legais. Quem assistiu a Trilogia da Vingança, principalmente o Lady Vingança, sabe que o wook Park é extremamente criativo no que diz respeito à formas de fazer uma pessoa sofrer e aqui ele o faz com maestria, espere coisas como pessoas sendo violentamente atropeladas, pescoços sendo quebrados e jugulares sendo perfuradas em meio a um rio de sangue.

Entre as matanças, temos o relacionamento louco entre Sang-hyeon e Tae-ju: eles brigam, batem um no outro, amam-se e transam em cenas quase explícitas, bem o que, teoricamente, deveria acontecer entre um padre e uma mulher cujo marido nunca lhe satisfez completamente. Os fãs de erotismo apreciarão o jeito ao mesmo tempo tímido e provocante de Tae-ju e certamente não ficarão decepcionados quando os “dotes” da moçoila são revelados em uma cena deveras “quente”, algo bem diferente daquela frescura ocorrida entre Edward e Bella na tão comentada cena de sexo do Amanhecer Pt1.

Próximo ao final e dependendo do tipo de humor que o espectador apreciar, o filme garante ainda algumas boas risadas. Em um determinado momento, por exemplo, uma senhora que encontra-se em um estado catatônico tenta alertar algumas pessoas reunidas em uma mesa de jogo sobre a verdadeira identidade do padre. Os esforços e o desespero dela são impagáveis. Mais divertida ainda é a impotência de Tae-ju e a indiferença de Sang-hyeon na sequência final, a hilária cena do carro.

Sede de Sangue constitui argumento convincente de que subverter gêneros é uma forma eficiente de abordar assuntos já desgastados pelo cinema e é mais uma prova de que, atualmente, a Coréia do Sul é um dos expoentes do cinema mundial.

Sang-hyeon “dando um chega mais” em Tae-ju

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  1. Eu amei esse filme….fui do outro lado da cidade só para assisti-lo no cinema..foi uma dia muito bacana !!!!

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