Bedevilled (2010)

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Grande é a minha felicidade de poder divulgar esse filme de terror coreano. Desde que postei sobre o Memórias de um Assassino eu tenho falado sobre a qualidade dos filmes que tem sido feitos por lá e Bedevilled converteu-se em mais uma boa dica para apresentar o cinema coreano: temos aqui, para todos os efeitos, um exercício do que há de melhor no gênero de terror, uma obra cuja estrutura narrativa lembra o clássico Psicose e cuja trama traz muito do ótimo Sob o Domínio do Medo.

Hae-won (Seong-won Ji) é uma solteirona de meia idade estressada com o serviço. Após uma explosão de raiva, ela é aconselhada pelos chefes a tirar férias e parte em uma viagem rumo a uma ilha que ela costumava visitar quando era criança. Chegando no local, Hae-won encontra Kim Bok-nam (Yeong-hie Seo), amiga de infância cujo jeito alegre e submisso de viver esconde raiva e frustração diante da falta de liberdade e da violência do marido.

Acredito que todo mundo já tenha ouvido a metáfora do copo d’água cheio que transborda com a adição de uma única gota. Bok-nam já estava com o “copo cheio” antes da amiga chegar: ela apanhava diariamente do marido e era obrigada a manter relações sexuais com ele a contragosto, via e ouvia o mesmo transar com prostitutas, era estuprada constantemente pelo cunhado e humilhada pela sogra e pelas outras mulheres do local. Se a chegada de Hae-won, uma “mulher da cidade grande” encheu o copo até o limite, a atração do marido pervertido pela filha de Bok-nam, uma menina de apenas 10 anos, é a gota que faz tudo que estava acumulado transbordar e levar junto quem o e o que estiver pelo caminho.

Bok-nam me lembrou muito o David Sumner interpretado pelo Dustin Hoffman no Sob o Domínio do Medo. Tal qual o personagem do filme do Peckinpah, essa mulher é levada ao limite pelo sofrimento e pela humilhação até o momento onde ela surta e resolve virar o jogo. Citei ainda o Psicose porque, assim como no longa do Hitchcok, há uma espécie de mudança de foco no meio da história, o holofote que inicialmente está em Hae-won e seus problemas femininos encontra e segue Bok-nam, um animal açoitado prestes a enlouquecer.

Essa bela premissa encontra na direção do estreante Chul-soo Jang a inspiração e a pegada necessária para a criação de cenas psicológico e visualmente perturbadoras: a carnificina com o cutelinho de arroz é destruidora e doentia, há a inesquecível e bizarra “cena do dedo” e o humor negro da “pasta de feijão” é certeiro. Bedevilled prova que é possível fazer terror sem utilizar cenas bobas de susto e é argumento inquestionável da boa fase do cinema coreano.

Machucou? Passa pasta de feijão!

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  1. Gostaria de saber mis sobre a trilha sonora desse filme , onde posso achar? Sei que são poucas as músicas, mas queria achar a trilha sonora original, inclusindo a música folclórica do final e não a versão americana. Sabe onde encontro essa infomação?
    obrigada pela dica, excelente filme!

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