Mentes Perigosas (1995)

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Durante a minha graduação eu cursei uma disciplina chamada Psicologia da Educação. No meio de todo o blablabla acadêmico sobre Piaget, a professora falou sobre a necessidade do professor inteirar-se sobre a vida dos alunos para melhorar o processo de ensino. É claro que nós alunos, dotados de toda nossa prepotência e daquela arrogância que nos faz acreditar que somos mais realistas do que o restante do mundo, massacramos a professora com argumentos como salários baixos e falta de tempo para justificar a impossibilidade de conhecermos os alunos em um nível pessoal. Poucos dias depois, essa mesma professora me abordou após uma aula onde eu critiquei quase tudo que ela disse. Em menos de 5min de conversa, ela descobriu que eu estava com problemas financeiros e familiares, o que de certa forma justificava o meu mau humor. Não foi preciso ela abrir a boca para dizer nada, o sorriso dela ao fazer isso explicitava a felicidade de alguém que ensinou algo na prática: sim, é possível conhecer melhor os alunos e desenvolver um processo de educação que fuja daquela aula tradicional onde o professor fala e escreve no quadro. É difícil, mas é possível.

Baseado em uma história real, Mentes Perigosas é sobre uma dessas professoras que desenvolveram um trabalho excepcional com uma turma de alunos na qual ninguém depositava nenhum tipo de esperança. Recém saída da carreira militar, Louanne Johnson (Michelle Pfeiffer) procura um estágio para concluir seu antigo curso de graduação e acaba conseguindo um cargo integral como professora de uma turma de alunos problemáticos. Com força de vontade e criatividade, ela vence a resistência dos alunos e consegue despertar neles o interesse pela escola e por poesia.

Mentes Perigosas é fruto da lendária parceria entre o Jerry Bruckheimer e o Don Simpson, os maiorais do cinema blockbuster americano que, entre outras coisas, produziram Top Gun, Bad Boys e A Rocha. Tem uma pegada leve, não desenvolve à fundo nenhum dos temas que coloca em discussão e é claramente um produto feito para agradar, não para incomodar ou despertar o espírito crítico. Identificar essas características do cinema de produtor é válido mas não compromete a apreciação: embalado pela clássica Gangsta’s Paradise do Coolio, o filme ganha fácil o espectador com aquele mundo repleto de pessoas marginalizadas que procuram um lugar ao sol. Os estereótipos do branco salvador e do negro institucionalizado personificado pelo diretor obtuso irritam, mas filtra-se isso para atingir a mensagem principal do filme: em qualquer situação, sempre teremos pelo menos uma escolha, escolha essa que pode ser multiplicada através do acesso à educação e à cultura.

Cito como bons momentos as referências ao Bob Dylan, a captação das dificuldades reais enfrentadas por um professor no início de um trabalho e a forma irônica com a qual a professora aprende a lidar com o diretor da escola. Indicado especialmente para os meus colegas de profissão.

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