Topázio (1969)

Padrão

Espiões russos, espiões franceses, organizações secretas, Cuba, Baia dos Porcos, Guerra Fria… Topázio, romance do escritor Leon Uris, tem elementos de sobra para fãs do gênero espionagem, não tenho a menor dúvida de que o livro deve fazer justiça a todos os personagens e subtramas da história fornecendo-lhes espaço e tempo suficiente para desenvolverem-se e criarem laços emocionais com o espectador. Topázio, adaptação desse romance dirigida pelo Hitchcock, esforça-se ao máximo para captar as tensões desse mundo de conspirações e agentes duplos mas obtém como resultado um filme irregular, uma obra menor dentro da filmografia do diretor.

Em linhas gerais, o agente fracês Andre Devereaux (Frederick Stafford) é contactado pelo governo americano para investigar atividades soviéticas em solo cubano. Traições, assassinatos e planos mirabolantes levam a um desfecho onde ele descobre que a rede de espionagem da URSS era bem maior do que todos imaginavam.

Topázio começa bem. Com seu talento para criar planos-sequência, Hitchcock cria um ambiente de tensão contínua para mostrar a fuga de um agente soviético para os EUA. A câmera que desce do topo de uma árvore até revelar um olho curioso e amedrontado por trás de uma fechadura e o avião que aguarda no meio da noite para transportar os fugitivos é o tipo de trabalho pelo qual o diretor recebeu o título de “mestre do suspense”. Terminado esse primeiro momento, a tensão dá lugar ao desenvolvimento de personagens e o filme cai vertiginosamente. Subtramas como a da esposa ciumenta vivida pela atriz Dany Robin deixam o filme devagar e pouco ou nada acrescentam à história. As coisas melhoram sensivelmente quando Andre parte para Cuba e inicia um romance com a bela Juanita de Cordoba (Karin Dor) enquanto procura por pistas sobre os planos soviéticos no país. Aqui há uma cena de assassinato executada com maestria (o vestido que cai tal qual sangue sendo esparramado é fantástico), o perigo da operação ser descoberta é real e o coronel Rico Parra (John Vernon) encarna a morte imediata para o personagem principal. O desfecho abre mão desse clima de perigo e tensão em nome de explicações intermináveis, mais personagens secundários e uma revelação de infidelidade que soa deslocada.

Antepenúltimo filme de Hitchcock, Topázio é, em partes, uma espécie de exercício de autoconfiança do diretor. Apostando em sua reputação, Hitchcock escolheu um elenco de atores pouco conhecidos em território norte americano e usou um roteiro que fugia um pouco do padrão daqueles que vieram a ser seus maiores sucessos (Psicose, Janela Indiscreta, Os Pássaros). Assim como acontece no Interlúdio, assistimos a uma história interessante, mas fica evidente que, não fosse a fama do diretor, provavelmente seria um filme sobre o qual dificilmente ouviríamos algo a respeito.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s