A Última Ceia (2001)

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Muito, muito antes mesmo de eu sequer pensar em assistir A Última Ceia, eu já tinha visto e revisto a cena de sexo protagonizada pela Halle Berry e pelo ator Billy Bob Thornton. Grande foi a minha surpresa quando um amigo comentou que, vista dentro do contexto do filme, tal cena passava longe de ser, digamos, inspiradora.

Para todos os efeitos, A Última Ceia é um filme independente, pequeno, aquilo que convencionou-se chamar, quase sempre em tom elogioso, de filme minimalista. A história começa com o negro Lawrence (Sean P. Diddy Combs) no corredor da morte. Não sabemos o que ele fez para estar ali, só vemos o quanto ele está preocupado com a mulher e o filho que deixará. Responsáveis por conduzir os últimos passos desse homem, estão Hank (B.B.Thornton) e Sonny Grotowski (Heath Ledger), pai e filho que em comum possuem apenas o cargo que ocupam na penitenciária, nota-se um abismo sentimental entre eles já no primeiro diálogo. Lawrence é executado na cadeira elétrica e sua morte espalha uma onda de tragédia na vida de todos aqueles que estiveram ligados ao evento. Em um desses desdobramentos, o preconceituoso Hank apaixona-se pela viúva de Lawerence, a também negra Leticia (Halle Berry).

Mais forte do que a questão ética que diz respeito a alguém envolver-se com a cônjuge de um prisioneiro que ele “ajudara” a matar e do que a sempre espinhosa questão racial, A Última Ceia tem na capacidade de regeneração do espírito humano seu grande tema. Se Hank sente o peso do preconceito que ele praticou por anos quando seu pai humilha Leticia, se ele precisa ver uma criança morrer para perceber o quanto ele foi injusto com o próprio filho, Leticia vê-se em uma situação após a morte do marido onde ou ela reinventa-se completamente, o que inclui entregar-se a um completo estranho, ou entrega os pontos por não ter mais nenhum motivo para seguir em frente.

A Última Ceia é do diretor Marc Foster, responsável por trabalhos variados como 007 Quantum of Solace, O Caçador de Pipas e Em Busca da Terra do Nunca. Aqui, ao contrário do que pode ser visto nos filmes citados, não há muita coisa na superfície, é preciso dedicar-se à trama e seus personagens para que ela revele todo seu potencial. Digo isso porque, de modo geral, é um filme para quem gosta de desenvolvimento de personagens, fator que pode ser apontado para que, apesar de todos os méritos que possui, ele seja lembrado e/ou conhecido quase que unicamente por sua cena de sexo e pelo Oscar dado a Halle Berry pela entrega total ao personagem.

Gosto desses filmes pouco pretensiosos, filmes que abrem mão de uma história linear para explorar algo mais sutil. Se você também gosta, eis um belo exemplar. Ah, a Halle Berry é um mulherão 😛

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