A Ilha (2005)

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Muito antes de eu sequer pensar em assistir A Ilha, alguém me disse que o filme, tal qual essa belezinha aqui, era baseado no mito da caverna do Platão. A Ilha, pra ficar bem claro, é dirigido pelo Michael Bay. Vamos ao gráfico!

Não, por mais que pareça, isso não é uma piada. É inegável que o Michael Bay sabe dirigir belas sequências de ação, mas no geral os filmes dele não passam disso e tendem a ficarem chatos quando tentam. Tendo isso em mente, não posso dizer que fiquei exatamente decepcionado com a superficialidade de A Ilha, até porque para isso eu precisaria ter algum tipo de expectativa. Antes de explicar o meu problema com o filme, passemos a sinopse.

Lincoln Six Echo (Ewan McGregor) é um habitante de um abrigo construído para ser o último refúgio da raça humana após o mundo ter sido contaminado. Ele e seus amigos, entre os quais está a bela Jordan Two Delta (Scarlet Johansson), passam os dias trabalhando e aguardando o sorteio de uma espécie de loteria, a qual dá ao ganhador o direito de ir para “a ilha”, um local de felicidade e prazeres ilimitados. Tudo caminha dentro do esperado até o momento em que Lincoln começa a ter sonhos estranhos que o levam a questionar aquele mundo e suas regras rígidas. Investigando, ele descobre que a tal “ilha” não existe e que aqueles que são escolhidos para visitá-la são mortos para converterem-se em doadores de órgãos. Sabendo que Jordan foi escolhida, Lincoln junta-se a ela em uma fulga para salvarem suas vidas e descobrirem a verdade sobre si.

Michael Bay passa os primeiros 40-50min do filme apresentando um personagem que, tal qual acontece no Mito da Caverna, tenta livrar-se de uma condição de prisão (dúvida, ignorância) através da razão (questionamentos, inquietação). Não bastasse esbarra em diálogos simplórios que não confiam no poder de interpretação do espectador, Bay praticamente abandona esse tema na segunda parte do filme em nome de suas famosas cenas de ação repletas de explosões e ainda tenta engatar uma discussão sobre ética e clonagem.

Enquanto eu assistia A Ilha, comecei a pensar se, novamente, valia a pena reclamar do estilo do Michael Bay. Como um leitor expôs de forma educada e direta (cof)  no meu texto do Transformers 3 , enquanto eu reclamo o diretor continua fazendo filmes e ganhando dinheiro. Sim, isso é verdade, bem como também é correto algo que o personagem do Sean Bean diz em um determinado momento do filme. “É bom questionar, isso faz parte do espírito humano”. Questiono então a falta de desenvolvimento para os temas propostos, as cenas de ação que abusam de qualquer nível de boa vontade, a Scarlet Johansson sendo reduzida a um rostinho bonito com pouquíssimas falas e o desfecho previsível e bobo.

Com A Ilha, Michael Bay não tira ninguém da caverna, ele fecha todos dentro e explode tudo (em câmera lenta e mostrando tudo de baixo pra cima na diagonal).

BOOM!

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