Enter The Void (2009)

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Gaspar Noé, Gaspar Noé… Tentei em vão lembrar durante todo o Enter The Void qual outro filme desse diretor eu já tinha assistido. O tema polêmico, as cenas de sexo quase explícito, os ângulos pouco convencionais escolhidos na hora de filmar, os créditos que são mostrados logo no começo do filme… Eu já tinha visto isso antes em algum lugar, mas foi só depois de jogar o nome do diretor no Google que fiz a ligação autor-obra: Noé é o responsável pelo Irreversível, filme polêmico por sua violência (uma homem desfigura o rosto do outro usando um extintor logo na abertura) e pela longa cena de estupro protagonizada pela Monica Bellucci e pelo ator Jo Prestia.

Enter The Void, assim como Irreversível, tende a provocar reações extremas, o popular “ame ou odeie”. Há quem considere, por exemplo, a cena de estupro da Bellucci como uma das coisas mais repugnantes já mostradas no cinema assim como pode-se encontrar pessoas que valorizam a linha temporal daquele filme e o sentimento de impotência que ele trabalha ao explorar um lado obscuro da sexualidade humana. Enter The Void também faz uso de cenas de sexo potencialmente perturbadoras e provoca o espectador com a relação quase incestuosa entre Oscar (Nathaniel Brown) e Linda (Paz de la Huerta), mas dessa vez o ponto que deve dividir opiniões é a experiência visual que Noé cria aliando roteiro, fotografia e direção de arte.

Oscar vive em Tóquio como um pequeno traficante de drogas até ser morto pela polícia dentro do banheiro da boate The Void. Assumindo uma forma espiritual, ele passa a observar e cuidar de Linda, irmã com a qual ele dividiu a experiência traumática de perder pai e mãe em um acidente de carro. Essa história relativamente simples é usada para dar vazão a um interesse antigo do diretor em experiências extra-corpóreas que ele materializa na tela com câmeras em 1ª pessoa que mostram em um primeiro momento o que Oscar vê quando está drogado e “fora do corpo” e que depois acompanham-no em sua viagem espiritual em busca da reencarnação, a qual é mostrada sob a perspectiva tibetana e explicada em um belo plano sequência quando o personagem e um amigo (Cyril Roy) caminham até uma boate.

A imersão na mente de Oscar e a forma como Tóquio pode ser vista (tanto enquanto Oscar está vivo quanto na forma espiritual) são os grandes trunfos de Enter The Void, até o mais leigo dos espectadores será capaz de perceber o esforço do diretor para criar algo inovador. É Legal? É, mas o problema é que essa experiência funciona bem no começo mas torna-se cansativa ao longo de um filme que dura mais do que o necessário (2h31min) e não possui grandes reviravoltas ou temas sendo discutidos. Diferente do que acontece no Irreversível, aqui a forma acabou superando o conteúdo.

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  1. Estava na net pesquisando sobre cinema e vi seu blog e ADOREI, parabéns pelo texto íntimo e pessoal com o que vc descreve os filmes de maneira tão subjetiva e perspicaz….. tbm amo cinema e encontrei aqui com o seu blog mas um motivo pra continuar e melhorar a minha escrita no meu blog que tbm é sobre filmes……!!!!!

  2. Pingback: Love (2015) | Já viu esse?

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