Estrada da Vida (1980)

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“O meio influencia, não determina”.  Eis uma frase que nos dá uma idéia confortável de poder e controle sobre nossas vidas e que vez ou outra é usada como argumento para condenar ou absolver moralmente algum crime. Longe dessas complexas questões sociais, aplico essa frase ao meu gosto musical. Tendo nascido no glorioso Triângulo Mineiro, cresci em uma família onde 99% das pessoas gostam de música sertaneja. Zezé Di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó, Tião Carreiro e Pardinho e tantas outras duplas sempre tocaram no aparelho de som da minha casa e converteram meu irmão em um fã dedicado do estilo. Contrariando todas as expectativas, despertei o gosto pelo rock quando vi o clipe da música Fly Away From Here do Aerosmith no finado programa de clips da Band apresentado pela Sabrina Parlatore. Moral da história? O rock e o heavy metal me completam, mas nem por isso deixo de conhecer uma ou outra dupla sertaneja. O meio influenciou, não determinou.

Tocando De Longe Também se Ama no primeiro encontro

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Milionário e José Rico é uma dessas duplas que hoje vive merecidamente no ostracismo. com mais de 40 anos de carreira, eles já lançaram mais álbuns do que o Iron Maiden lançou coletâneas e possuem “hits” suficientes para compor o repertório de um show. Assim como aconteceu com a dupla Zezé Di Camargo e Luciano, eles aproveitaram a fama proporcionada pela música  para levar sua história de vida para os cinemas. Lançado em 1980, Estrada da Vida é baseado na música de maior sucesso da dupla e dramatiza o período inicial da carreira dos cantores.

Interpretando a si mesmos, Milionário e José Rico chegam a São Paulo para tentar fazer sucesso com sua música. Conhecem-se em um hotel e formam dupla, passando então a cantarem em circos e trabalharem juntos como pintores para sustentarem-se enquanto o sucesso não vem. O diretor Nelson Pereira dos Santos trabalha pontos marcantes desse período, como a exploração dos empresários, a primeira apresentação, os primeiros fãs e, finalmente, a fama que chega como o resultado de um talento inquestionável e do trabalho duro.

Como pode ser lido em um dos cartazes do filme, “o resultado encanta pela autenticidade e pela sintonia com a cultura popular”. O filme, que tecnicamente beira o amadorismo (mesmo fazendo as ressalvas temporais necessárias, não dá para fechar os olhos para os erros grosseiros de edição e continuidade), encanta pela sua simplicidade e pelo retrato do período, a mágica e trash década de 80. Dependendo do seu gosto musical, pode ser uma tortura assistir, eu achei “bacana”.

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