Capitão América – O Primeiro Vingador (2011)

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Conversando com amigos e lendo algumas resenhas, percebi que muita gente sente-se incomodada com o Capitão América enquanto super-herói pelo que ele representa ideologicamente. Criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, o personagem foi utilizado para estimular o patriotismo americano durante a Segunda Guerra Mundial e, com sua roupa e escudo baseados na bandeira americana e seus discursos moralistas, tornou-se um dos símbolos da entrada dos EUA naquela guerra. Convenhamos: depois de anos de invasões alienígenas que ocorrem sempre em território americano (um hail para o Neill Blomkamp: HAIL!) , conspirações que sempre visam a destruição dos EUA e tantas outras coisas que o cinema mostra relacionadas ao Tio Sam, é praticamente inútil boicotar o Capitão América e seu discurso agora, até porque no caso dele não há nada subliminar ou implícito.

Filtrando a conversa fiada, resta um personagem deveras chato, excessivamente “correto” e previsível em sua personalidade idealizada. Minhas melhores lembranças dele relacionavam-se até então não àquele filme obscuro de 1990, mas sim a alguns combos finalizados com um eficiente Stars and Stripes do Marvel vs. Capcom.

Stars and Stripes!

Stars and Stripes!

Mas e o filme que estreou na última sexta-feira? Por tudo que foi falado até agora, posso ter dado a entender que eu não tinha muitas expectativas, mas a realidade era bem diferente. Além dos filmes da Marvel terem melhorado consideravelmente nos últimos anos (o Thor, mesmo dando algumas escorregadas, foi um filme muito divertido), o trailer, a ambientação na Segunda Guerra Mundial, as pontas para o filme dos Vingadores e, principalmente, a escolha do Hugo Weaving para o papel de Caveira Vermelha me deixaram ansioso para a estréia.

Jogo rápido com a sinopse: Steve Rogers (Chris Evans) é um rapaz franzino que sonha em entrar para o exército e ir para a guerra ajudar seu país. Após ser recusado 5 vezes no teste físico, ele é escolhido para ser a cobaia do projeto “Super Soldado”. Steve recebe um soro especial e é bombardeado pela radiação de uma máquina criada pelo pai do Homem de Ferro, Howard Stark (Dominic Cooper). O recruta baixo e fraco transforma-se então no Capitão América, um homem com força e habilidades sobre-humanas. Inicialmente ele é usado como peça da propaganda de guerra, mas logo ele encontra seu verdadeiro propósito ao ser mandado até a Europa para enfrentar o terrível Caveira Vermelha (Hugo Weaving).

Os prós: tudo que acontece no filme antes de Steve assumir as verdadeiras responsabilidades do Capitão. A reconstituição de época está excelente, as piadas funcionam bem e qualquer antipatia ao personagem ou sentimento anti-americano são combatidos por ironias que o próprio filme dirige à propaganda de guerra. Destaco ainda as atuações do Stanley Tucci e do Tommy Lee Jones, o design dos equipamentos da H.Y.D.R.A. e os efeitos especiais que “endhalsinzaram” o Chris Evans.

Os contras: tudo o que vem depois. Após o “despertar” do Capitão América, que ocorre quando ele é humilhado por soldados americanos em uma de suas apresentações, TUDO acontece muito rápido. Capitão América começa a vestir o uniforme (reparem na semelhança dessa cena com o mesmo momento do Rambo)? Corte de cena e lá está ele em plena ação. Ele pega o escudo? Corte de cena e lá está o escudo todo arranhado. Eles decidem invadir o esconderijo do Caveira Vermelha? Corte de cena e o herói já está correndo dos bandidos em sua moto estilosa. Falta continuidade e sobram cenas de ação batidas (alguns sites tem comparado tais cenas com as do Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, filme em que o diretor do Capitão América – O Primeiro Vingador, Joe Jhonson, dirigiu os efeitos especiais), algumas inclusive beirando o ridículo (Capitão saltando com a moto com explosões no fundo lembrou o Machete, e olha que aqui tais cenas supostamente foram feitas para serem séria). Chris Evans, com seu currículo de personagens conquistadores, também não convence enquanto o austero e justo Capitão América. O pior de tudo, no entanto, está no final: o último confronto entre o Capitão e o Caveira Vermelho é, para dizer pouco, decepcionante, problema que nenhum dos filmes da Marvel (talvez apenas o primeiro Homem Aranha) conseguiu solucionar.

Acredito que o personagem Capitão América funcionará bem no vindouro filme Os Vingadores (aguardem até o final dos créditos). Individualmente, no entanto, não foi o começo que eu esperava para o que certamente converterá-se em uma franquia.

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  1. O filme é uma droga, não conta a verdadeira história de como apareceu o Capitão América.
    O uniforme feito para o ator é realmente ridículo, sua máscara mais parece um penico, armas
    que nem com magia teriam existido naquela época e o pior de tudo foi colocar a cabeça de um homem de uns dois metro num corpinho, creio eu, feito em computador.
    Realmente uma verdadeira porcaria

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