Quando Nietzsche Chorou (2007)

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Quando Nietzsche Chorou é um filme baseado no best seller homônimo do psicoterapeuta Irvin D. Yalom. Misturando ficção e realidade, Irvin coloca Nietzsche ao lado de Freud e Josef Breuer para mostrar o surgimento da psicanálise e os supostos limites e contradições das teorias nietzschianas. Antes de continuar a falar sobre o filme, faz-se necessário um pequeno exercício de sinceridade.

Não li o livro em questão, sou praticamente leigo em psicologia e minha leitura do Nietzsche resume-se ao Assim Falou Zaratustra, O Anticristo e Crepúsculo dos Ídolos. Faço questão de deixar isso bem claro pois sei da complexidade do tema abordado e reconheço que, por enquanto, sou no máximo um simpatizando da filosofia.

Achei importante fazer essas considerações porque, durante a pesquisa que eu fiz para escrever essa resenha, encontrei opiniões distintas sobre a forma como abordaram Nietzsche e sua obra dentro do filme. Enquanto algumas pessoas gostaram da adaptação do diretor Pinchas Perry, outras foram taxativas em dizerem que o livro é infinitamente superior ao filme e outras foram além e afirmaram que nem o livro nem o filme podem ser levados a sério, que eles não passam uma idéia real do que foi o filósofo.

Sem ler o livro no qual o filme foi baseado e com base no que conheço de Nietzsche, não posso dizer que fiquei decepcionado. Quando Nietzsche Chorou pode até não alcançar o tom feroz das críticas nietzschianas, suavizando o discurso e simplificando certas teorias para adaptar-se a linguagem cinematográfica, mas há no personagem interpretado pelo Armand Assante sabedoria, autocontrole e questionamentos amedrontadores, dignos da paixão contida nos discursos inflamados dos livros. A trama acaba colocando Nietzsche no banco dos réus para explorar as consequências práticas do niilismo, o que leva a um final fictício que em muito assemelha-se aos eventos que marcaram o final da vida do filósofo. Não encarei isso como uma tentativa de anular ou combater o que Nietzsche defendeu, mas sim como uma forma prática que a psicologia encontrou de aplicar o que ele pregou. No Crepúsculo dos Ídolos, por exemplo, Nietzsche diz que é preciso destruir para construir. Não é exatamente isso que o Josef Breuer (Ben Cross) experimenta durante o filme?

Apesar de citar máximas do filósofo (‘Deus está morto’, teoria do super homem e do eterno retorno), Quando Nietzsche Chorou é mais uma dramatização sobre o filósofo do que um estudo sobre sua filosofia. Não posso dizer que seja um filme interessante para que não esteja familiarizado ou interesse-se pelo assunto, mas afirmo que trata-se de um trabalho que pode gerar boas discussões para quem gosta de filosofia e de psicologia.

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