Global Metal (2008)

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Nunca me defini como metaleiro. Gosto e conheço várias bandas do gênero mas, além de não gostar do visual, não sinto afinidade com certos comportamentos que presenciei nos shows de metal que compareci. Resumindo: gosto da música, não da cena, pelo menos não da cena que EU conheço. Antes que algum true headbanger from hell venha me mandar ouvir pagode, deixo claro que não estou generalizando nada, apenas relatando algo baseado no que eu já presenciei. Eu não preciso, por exemplo, usar uma camiseta de banda, embebedar-me, participar de um mosh pit, deixar meu cabelo crescer ou sair cantando com a galera no meio da rua para pirar no solo da Wherever I May Roam do Metallica. Para quem segue ou gosta desse estilo de vida eu desejo o melhor, mas cada um no seu quadrado.

Se não tenho interesse pela cena, a história muda quando trata-se de assuntos pertinentes a música. Foi com muita alegria que assisti o Metal: Uma Jornada Pelo Mundo do Heavy Metal, documentário onde o antropólogo e fã de heavy metal Sam Dunn busca as origens do estilo entrevistando membros de várias bandas. Dando sequência a esse trabalho, Dunn e o diretor Scot McFayden lançaram o igualmente interessante Global Metal.

Procurando compreender os efeitos que a globalização teve sobre um estilo musical que originalmente desenvolveu-se nos EUA e na Europa, Dunn e sua equipe viajam para o Brasil, Japão, Índia, China, Indonésia, Israel e Emirados Árabes entrevistando membros de bandas locais. No Brasil, por exemplo, Dunn entrevista Rafael Bittencourt (Angra) e Max Cavalera (Ex-Sepultura, Soulfly, Cavalera Conspiracy) para concluir que aqui o heavy metal cresceu no período pós-ditadura militar apoiado no Rock In Rio e na necessidade que certas pessoas tinham de expressar-se através de uma música que pregasse liberdade e inconformismo. Outros momentos legais são quando o diretor encontra Marty Friedman (Ex-Megadeth) no Japão para uma discussão sobre Visual Key e o humor “involuntário” que rola quando um fã do oriente médio diz que a única forma de ele escutar heavy metal por lá é baixando música da internet e, logo em seguida, mostram uma entrevista onde Dunn pergunta para o Lars Ulrich (Metallica) o que ele pensa sobre downloads. Creio que os metaleiros from hell sabem porque isso é engraçado.

Global Metal apresenta algumas respostas óbvias para perguntas relativamente simples, valendo mais pela bela edição que contém cenas raras de shows do Metallica, Sepultura, Slayer e Iron Maiden do que por seu pretenso trabalho antropológico.

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