Luzes da Cidade (1931)

Padrão

Cerca de 6 meses depois, consegui tempo para dar sequência ao que me propus aqui: conhecer a filmografia do Charles Chaplin.

Tendo sido lançado já na época do “cinema falado”, Luzes da Cidade representa um marco na carreira de Chaplin por ser seu último filme “mudo”. Apesar de possuir uma trilha sonora sincronizada com as cenas e um breve “discurso” inicial composto de sons incompreensíveis, os diálogos do filme ainda são apresentados através de frases escritas que são introduzidas entre uma cena e outra. Ainda estou engatinhando dentro do chamado “cinema mudo”, então qualquer afirmação que eu fizer sobre o mesmo não passará de falácia. Deixemos a falácia de lado e passemos à sinceridade: mesmo sendo apaixonado por bons diálogos, eles não fazem a MÍNIMA falta em Luzes da Cidade. Chaplin, que escreveu, dirigiu e interpretou o personagem principal, preenche a tela de tal forma com sua piadas e sentimentos que é difícil imaginar que o que vemos pudesse ser feito de outra forma.

A história é simples e agradável: o Vagabundo (Chaplin) conhece uma florista cega (Virginia Cherrill). Encantado com a moça, o Vagabundo descobre que ela está para ser despejada do local onde mora com a avó devido a falta de pagamento do aluguel. Disposto a ajudar, ele aceita todo tipo de trabalho e ainda conta com a ajuda de um homem rico que ele salva de uma tentativa de suicídio.

Vejam bem: quando falamos do Luzes da Cidade, não é a fotografia preto e o branco ou a ausência de diálogos que causam estranhamento. Estamos diante de uma comédia romântica, gênero que nos últimos anos tem nos bombardeado com o que há de pior no cinema (sim, há honrosas exceções). Há exatamente 80 anos, misturar comédia e romance significava, por exemplo, colocar um personagem franzino em um ringue lutando contra um brutamontes para ajudar sua amada. Atualmente, piadas sobre sexo, vibradores e situações constrangedoras são imperativas nos filmes do gênero. Longe de mim querer ser anacrônico ou, pior ainda, “defensor da moral e dos bons costumes”, mas em um nível muito pessoal eu devo dizer que sinto mais afinidade com a proposta do Chaplin do que com as Sarah Jessica Parker, Jennifer Aniston e Asthon Kutcher’s da vida.

Luzes da Cidade é repleto de bons sentimentos e de piadas que, mesmo perdendo um pouco da graça devido ao tempo que nos separa do contexto onde elas foram pensadas, nos divertem devido à interpretação ao mesmo tempo inocente e precisa desse gênio chamado Charles Chaplin. Outro clássico, outro filme excelente. Não levarei outros 6 meses para ver outro filme do ator/diretor.

Olha só quem compareceu na estréia do Luzes na Cidade

Olha só quem compareceu na estréia do Luzes da Cidade

Anúncios

»

  1. Pingback: Luzes da Cidade (1931) (via Já viu esse?) | Beto Bertagna a 24 quadros

  2. Dois gdes. homens e ambos ateus. Enquanto Mussolini era cristão.
    Nem sempre ser politicamente correto é o certo.

  3. Toda vez que vejo o chaplin lembro de um bonequinho de plastico dele com o mesmo formato que ele está na capa do filme

  4. Sergio Ruiz
    Sua linha de raciocínio nos leva a isso também: dois canhotos, enquanto Hitler era destro. Ou; os dois gostavam de vinho, enquanto Stalin só bebia vodka…

  5. Pingback: Em Busca do Ouro (1925) « Já viu esse?

  6. Pingback: Monsieur Verdoux (1947) | Já viu esse?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s