Anatomia de Um Crime (1959)

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Hoje em dia, um roteiro que utilize palavras como “vadia”, “penetração”, “puta” e “calcinha” não causa espanto em ninguém, pelo menos não em alguém que tenha frequentado o cinema nos últimos anos. Levando isso em consideração, pode-se estranhar a idéia de que um filme tenha causado polêmica por utilizar tais termos e cenas com insinuações sexuais. Visto hoje, Anatomia de Um Crime pode parecer um filme inocente, mas quando foi lançado em 1959 ele chamou a atenção tanto por sua instigante sequência de tribunal quanto por seus diálogos repletos de palavras e temas considerados proibidos para o cinema da época. Não é possível ser anacrônico e assistí-lo hoje em dia sentido as provocações do diretor Otto Preminger tal qual alguém que tenha vivido na época, mas quando assistimos um filme de 2h40min e não ficamos entediados em nenhum momento percebemos que estamos diante de uma obra que foi além da polêmica e tornou-se atemporal.

James Stewart interpreta Paul Biegler, um ex-promotor que recebe sua primeira grande chance como advogado de defesa em um caso de homicídio: Frederick Manion (Ben Gazzara) é acusado de matar Barney Quill. O motivo: Barney teria espancado e estuprado a esposa de Frederick, a bela e insinuante Laura Manion (Lee Remick). Como houve um espaço de tempo entre o estupro e o assassinato, a promotoria acusa Frederick de premeditar o crime. Cabe a Biegler não envolver-se com a esposa de seu cliente e convencer o juri do julgamento que seu cliente estava emocionalmente perturbado quando matou Quill.

A forma como o diretor mostra Laura Manion, sempre fazendo poses sensuais como seus cabelos cacheados (vez ou outra lembrando a Rita Hayworth no Gilda) acompanhada por uma trilha sonora sugestiva, é apenas um dos muitos pontos onde Anatomia de Um Crime prova estar a frente do seu tempo. Preminger adianta em seu filme traços da revolução sexual e a busca por realismo que na década de 60 romperia com os filmes politicamente corretos que dominavam a produção hollywoodiana até então.

Tendo saído cerca de 2 anos após outros clássicos absolutos do sub gênero “filme de tribunal” (Testemunha de Acusação e 12 Homens e Uma Sentença), Anatomia de Um Crime tem tudo que um bom filme de advogados precisa ter e sobressai-se tornando-se agradável para o público de qualquer época principalmente devido a seus diálogos cheios de humor, erotismo e ironia. O James Stewart rindo naturalmente após um diálogo sobre o papel dos advogados em um julgamento sugere que os atores divertiram-se com o texto. Para o público também é difícil não rir das tiradas sarcásticas do juiz Weaver (Joseph N. Welch) ou não abrir um sorriso malicioso quando um advogado pergunta a Laura se ela sempre usa calcinha.

7 indicações ao Oscar, bela fotografia, boas atuações, uma abertura fantástica e uma história envolvente. Anatomia de Um Crime é um filmão.

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