Shine – Brilhante (1996)

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Não é necessário gastar muitos argumentos para convencer alguém de que não é fácil educar uma criança. Fora o lado financeiro, há ainda uma série de outros fatores que assombra qualquer um que parar para pensar a respeito. Dar ou dar não liberdade? Ensinar ou não ensinar religião? Qual o limite entre ensinar e obrigar? Shine – Brilhante, além de ser o filme que revelou o ator Geoffrey Rush para Hollywood e, consequentemente, para o mundo, traz uma história baseada em fatos reais que pode contribuir muito para refletirmos sobre essas questões.

David  Helfgott (interpretado por G. Rush, Alex Rafalowicz e Noah Taylor na fase adulta, infância e adolescência, respectivamente) foi aquilo que convencionou-se chamar “criança prodígio”. Sob a rígida tutela do pai (Armin Mueller-Stahl), Davi transformou-se em um pianista formidável e começou ainda criança a chamar a atenção de especialistas de escolas de música. As bolsas de estudo que David recebia eram sistematicamente recusadas por seu pai, o qual tinha medo que o filho abandonasse a família ou não fosse bom o suficiente aos olhos dos outros. Quando David finalmente resolver partir, ele leva consigo cicatrizes profundas causadas pela relação problemática com o pai e acaba sofrendo um colapso psicológico devido a dedicação extrema à música. É nesse momento que o pianista consegue começar a trilhar seu próprio caminho.

Por envolver um processo de superação de um personagem “deficiente”, Shine pode tranquilamente ser visto da mesma forma que vemos Lágrimas de Lourenço, Meu Pé Esquerdo ou Uma Mente Brilhante e o drama dele funciona bem dessa forma. Pra quem quer mais do que isso, o filme também não decepciona.

O diretor Scott Hicks faz um belo trabalho ao mostrar como a influência dos pais pode ser prejudicial para os filhos se não for dosada e planejada. David passa vários anos de sua vida tentando corresponder as expectativas do pai e é preciso que ele chegue no limite de sua saúde física e mental para libertar-se da obrigação de agradar e passe a viver de acordo com suas próprias escolhas.

Geoffrey Rush não ganhou o Oscar de Melhor Ator pela interpretação por acaso. Além de emular com naturalidade os trejeitos do pianista, Rush emociona como alguém que consegue substituir a busca pela perfeição e a aceitação pública por algo mais intimo e palpável (não foi intencional, mas esse “palpável” rende uma cena engraçadíssma).

Shine não apela para o coitadismo, é bastante convincente sobre a necessidade de respeitar as escolhas dos filhos no processo de educação e, assim como o Cisne Negro, alerta para os riscos da busca pela perfeição (arrisco a dizer que a cena do concerto é tão bela quanto a execução do Lago dos Cisnes do Aronofski). Muito bom.

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  1. Ta aí, não conhecia seu blog. Adorei suas resenhas. Gostei mesmo da forma como escreve. Vou favorita-lo no meu, sem duvidas. Parabéns! E sempre vou vir aqui indicar uns filminhos tbm.

    Beijoca.

  2. aeee quando eu falo que vc escreve bem pra caramba vc é humilde em dizer que não mais ta ai a prova do que eu te digo E VC MERECE!!!!

  3. Pingback: O Escafandro e a Borboleta (2007) « Já viu esse?

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