Uma Rua Chamada Pecado (1951)

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Uma Rua Chamada Pecado é daqueles filmes que estão intrinsecamente ligados a história do cinema hollywoodiano. Adaptação de uma peça premiada do dramaturgo Tennessee Williams, o filme foi dirigido pelo polêmico Elia Kazan, recebeu 4 Oscars, foi censurado por entidades americanas defensoras “da moral e dos bons costumes” por abordar assuntos considerados polêmicos e é comumente apontado como o trabalho que revelou o ator Marlon Brando.

Brando, que até então havia atuado em apenas um filme (Espíritos Indômitos), levou para as telas a experiência adquirida no teatro com o conhecido Método Stanislaviski e fez do selvagem Stanley Kowalski o ponta pé de uma careira que seria marcada por 2 Oscars de Melhor Ator e uma série de personagens que ditariam critérios de comparação para boas atuações.

Primeiramente, é necessário dizer que o título nacional é infeliz. A tradução literal para A Streetcar Named Desire, Um Bonde Chamado Desejo, e a compreensão da metáfora que ele representa dentro da trama é importante para desvendar certos aspectos do roteiro. Blanche DuBois (Viven Leigh, de … E o Vento Levou) chega em Nova Orleans para encontra a irmã, Stella Kowalski (Kim Hunter). Vestindo roupas caras e ostentando um estilo de vida glamouroso, Blanche chega na casa da irmã depois de pegar um bonde chamado Desejo (HA!) e é recebida com desconfiança pelo cunhado, o selvagem Stanley Kowalski (Brando). Blanche não aceita que a irmã tenha se casado com alguém que ela considera “grosseiro e mundano” e Stanley desconfia que a cunhada esconde algo por trás de toda aquela pose. A antipatia inicial entre os dois é temperada por uma estranha atração sexual e a situação chega a extremos quando são feitas revelações do passado polêmico de Blanche. A reação violenta do pragmático Stanley coloca em xeque o mundo de fantasias que Blanche havia construído ao redor de si para enfrentar uma realidade onde ela “sempre dependeu da bondade de estranhos”.

O que torna Uma Rua Chamada Pecado tão bom e especial é aquele aspecto teatral típico do período conhecido como Era de Ouro de Hollywood. O trabalho de posicionamento de câmeras do diretor Elia Kazan, a bela fotografia preto e branco e a edição merecem elogios, mas é principalmente a forma como o diretor conduz os atores e extrai de cada um deles o melhor que eles podem oferecer que coloca esse filme ao lado de outros clássicos conhecidos por excelentes atuações como Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, Assim Caminha a Humanidade e O Iluminado. Reparem, por exemplo, na discrepância, no abismo que existe entre o violento Kowalski de Brando e na sonhadora Blanche da Vivien Leigh. Com atores que são capazes de representar personagens tão complexos e singulares, Kazan fez um excelente trabalho ao transpor o ambiente de uma peça de teatro para o cinema (lembrando que todos os atores principais, menos a Viven Leigh, já haviam vivido seus respectivos papéis do filme no teatro).

Explorando principalmente temas ligados a sexualidade e ao desejo, Uma Rua Chamada Pecado optou por suavizar o texto da peça de teatro que falava explicitamente sobre estupro e homossexualismo, atitude compreensível se considerarmos o contexto onde o filme foi feito e esperada para quem conhece o trabalho do Elia Kazan. As polêmicas, no entanto, não são necessárias para levar um filme onde pode-se ver o Marlon Brando atuando no melhor de sua forma física e com todo o gás de um ator que busca espaço. Os gritos de “Stella, Hey Stella!” dele em uma determinada cena foram listados (com justiça) como uma das 100 melhores frases/diálogos de filmes de todos os tempos pelo American Institute Film.

Tem alguém que não goste de boas atuações e uma boa história? Não né? Indicadíssimo.

Vivien Leigh e Marlon Brando

Vivien Leigh e Marlon Brando

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