Os Agentes do Destino (2011)

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Procurando por Os Agentes do Destino no Google, eu encontrei pelo menos umas 4 matérias com títulos que classificavam o filme como ficção científica. O próprio IMDB classifica-o assim.

Em linhas gerais, temos aqui um político em ascensão (Matt Damon) e uma bailarina (Emily Blunt) que apaixonam-se mas que, devido a interferência direta do destino (aqui personificado por agentes de terno e chapéu), não podem ficar juntos.

Os tais agentes fazem parte de uma “organização” que há muito tempo (desde sempre?) cuida da humanidade interferindo diretamente em nossas vidas. Perdemos ônibus, chegamos atrasados, encontramos desconhecidos nas ruas e conhecemos mulheres dentro de banheiros masculinos (!) não por coincidência, mas porque um agente cuidou para que aquilo acontecesse. O motivo? Fazer com que não mudemos o destino que devemos cumprir na vida. O livre arbítrio seria apenas um privilégio que recebemos de tempos em tempos dessa “organização”, o qual, segundo é falado em um determinado momento da trama, nunca soubemos aproveitar visto que os períodos onde ele nos foi ofertado correspondem a alguns dos episódios mais críticos da história, como a inquisição, guerras mundiais, holocausto, etc. Não posso esquecer de falar que os próprios agentes admitem que eles podem ser chamados de “anjos” e que eles são comandados pelo “presidente”.

Vejamos a definição do Wikipédia para “Ficção Científica”: “Ficção científica é uma forma de ficção desenvolvida no século XIX, que lida principalmente com o impacto da ciência, tanto verdadeira como imaginada, sobre a sociedade ou os indivíduos. O termo é usado, de forma mais geral, para definir qualquer fantasia literária que inclua o factor ciência como componente essencial”.

O meu ponto não é dizer que Os Agentes do Destino é ou não é ficção científica, mas sim pensar sobre essa classificação. As referências e alegorias religiosas do filme, principalmente às religiões cristãs, são óbvias, gritantes. Classificar o filme como ficção científica é o mesmo que confundir ciência e religião ou deliberadamente dizer que o dogma em questão é apenas fantasia. Os apetrechos tecnológicos dos agentes e o “conceito das portas” aparecem no filme não como produto de uma tecnologia avançada, mas sim como algo atemporal (onipresença!) que a organização usa para conseguir alcançar seus objetivos. É isso ou admitir que deus faz upgrades.

Pode até parecer pedantismo, mas entender essa questão de gênero influencia diretamente na forma de assistir o filme. Dirigido pelo estreante George Nolfi (roteirista do O Ultimato Bourne), Os Agentes do Destino é um filme que mostra que a idéia de destino é algo artificial à vida, a qual é vista como sendo guiada principalmente pelo acaso. O amor entre os personagens subverte então a vontade superior e ganha a simpatia do público por lhes dar a sensação de controle sobre a própria vida. Claro que isso não seria possível sem a surpreendente química entre o Matt Damon e a Emily Blunt e também não seria legal sem as boas cenas de perseguição que não foram feitas para serem maiores que o contexto ao qual elas servem. Ótimo filme.

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Uma resposta »

  1. Eu ate gostei do filme, mas esperava diálogos mais profundos. Achei que tudo no filme passou de forma superficial, a própria questão do destino. Esse filme ta mais pra comedia romântica do que pra qualquer outro gênero.

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