Brothers (2004)

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Lembram do drama de novela mexicana que o Michael Bay usou como pano de fundo para as explosões e efeitos especiais de Pearl Harbor? Piloto é dado como morto após um combate aéreo. A namorada desolada encontra conforto e outras cositas más nos braços do melhor amigo do falecido. O piloto é encontrado vivo e o triângulo amoroso está armado. Japoneses são maus e blablabá.

As semelhanças do roteiro do dinamarquês Brothers com o filme estrelado pelo Ben Affleck foram colocadas aqui mais como uma curiosidade do que como uma reclamação. Qualquer pessoa que assista filmes regularmente sabe que a máxima “nada se cria, tudo se copia” é abraçada sem muitos problemas pela maioria dos cineastas. O próprio Brothers, por exemplo, deu origem ao remake Hollywoodiano Entre Irmãos e eu não aposto 1 centavo na originalidade do roteiro de Pearl Harbor.

Se assistir filmes sempre procurando idéias novas é uma tarefa relativamente inglória, o melhor é procurar extrair o que cada um possui de único. O drama da diretora Susanne Bier começa com Jannik (Nikolaj Lie Kaas) saindo da prisão e sendo recebido pelo irmão, o militar Michael (Ulrich Thomsen, de Entre o Bem e o Mal). O aparente abismo moral que separa o respeitável major do exército casado e pais de duas filhas e o irmão delinquente começa a diminuir quando Michael é dado como morto durante uma missão no Afeganistão. Jannik surpreende a todos e adota uma postura responsável para com a família do irmão, dedicando-se às sobrinhas e compartilhando com a cunhada Sarah (a bela Connie Nielsen) a dor pela perda de Michael. Como o leitor já deve ter desconfiado, o filme segue com a revelação de que Jamanta Michael não morreu e explora as emoções que o retorno dele provoca em um ambiente onde sua falta foi preenchida pela presença do irmão.

Como foi dito, o drama é praticamente o mesmo do Pearl Harbor, mas a forma de conduzí-lo é bem distinta. Enquanto Michael Bay faz uso do conflito para aumentar a tensão de suas cenas de ação grandiosas, Susanne Bier procura mostrar o quão tênue é a linha que separa o moralista daquilo que ele condena. Quando os irmãos são colocados sobre pressão, quebra-se o esteriótipo e é o problemático Jannik que demonstra mais força de vontade para manter-se fiel ao que ele acredita, argumento que a diretora desenvolve bem para mostrar que ninguém é essencialmente bom ou mal.

Brothers não tem esse título por acaso. Como é dito logo no começo do filme, em um relacionamento o amor é sempre o objetivo, mas muitas vezes os meios para alcançá-lo são bastante espinhosos, principalmente entre irmãos. O roteiro não é exatamente novo, mas as boas atuações do elenco e a abordagem que evita hipocrisias fazem de Brothers um filme que merece ser visto.

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