Munique (2005)

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Munique, assim como a maioria dos filmes que abordam temas políticos (Valsa com Bashir, Todos os Homens do Presidente, grande parte da obra do Oliver Stone), exigem determinados conhecimentos a priori para serem melhor compreendidos e aproveitados. Como o massacre que move o filme é um episódio que não pode ser considerado como algo que é de conhecimento geral da nossa geração (como é, por exemplo, o ataque de 11 de setembro), comecemos essa resenha com uma pequena explicação sobre alguns conceitos, nomes e organizações abordadas no filme:

  • Setembro Negro: Organização militar palestina criada em 1970 para enfrentar a Jordânia e lutar pela causa de libertação dos palestinos. O nome vem dos conflitos entre a OLP (Organização Para a Libertação Palestina) e o exército da Jordânia ocorridos em setembro de 1970 que deixaram cerca de 10.000 mortos. O grupo ficou conhecido principalmente por seus atos de terrorismo.
  • Golda Meir: Primeira-Ministra israelense entre 1969 e 1974.
  • Mossad: Serviço secreto de Israel.
  • Operação Cólera de Deus: Operação do Mossad autorizada pela ministra Golda Meir para punir os responsáveis pelo Massacre de Munique.

O filme começa com a dramatização do sequestro ocorrido nos Jogos Olímpicos de 1972. No dia 5 de setembro daquele ano, membros do Setembro Negro invadiram a vila olímpica e sequestraram 11 membros da delegação israelense. Uma troca de tiros onde ficou evidente o despreparo da polícia alemã para lidar com a situação provocou a morte de 5 terroristas, um policial alemão e de todos os atletas israelitas. A resposta de Israel vem com a Cólera de Deus, operação do Mossad autorizada pela Primeira-Ministra Golda Meir cujo objetivo é encontrar e assassinar todos os responsáveis pelo Massacre de Munique. A liderança da missão é oferecida ao militar Avner (Eric Bana), membro do Mossad que abandona a mulher grávida de 7 meses para comandar a equipe que deverá mostrar ao mundo que os ataques contra judeus não serão mais tolerados. Viajando por toda a Europa em busca de pistas e informações sobre os alvos da operação, Avner e sua equipe descobrem que há muito mais em jogo do que uma simples retaliação pelo massacre nas Olimpíadas.

É conhecido o apelo que os temas judaicos tem em Hollywood. A maioria dos fundadores dos estúdios hollywoodianos era de origem judaica assim como o são vários atores e diretores importantes dentro da indústria, entre eles o Steven Spielberg. O diretor, que ganhou 2 Oscars com a história do empresário que salvou vários judeus do holocausto no A Lista de Schindler, retoma em Munique o tema que lhe é caro sob uma perspectiva pouco comum.

Em um determinado momento do longa, um personagem discursa sobre o que é ser judeu, sobre o que os diferencia dos outros povos.Ele então ressalta a bondade de sua raça e sugere que a retaliação praticada pelo governo de Israel contradiz em essência o significado do judaísmo. Optando por uma abordagem que permite pensar a questão judaica além do tradicional coitadismo da maioria dos filmes sobre o tema, Spielberg demonstra a maturidade de alguém que consegue usar a razão para analisar um tema que não pode ser compreendido através de maniqueísmos. Munique é um filme que mostra que o terrorismo nunca é justificável pois mesmo a mais nobre das causas está sujeita a erros de julgamento, interferências externas e interesses ambíguos.

Há pouco para ser falado sobre o aspecto técnico que não seja óbvio, a qualidade pela qual o diretor é conhecida está presente em todas as cenas: seja através de um movimento de câmera ousado, de uma edição inspirada ou da construção de imagens marcantes (ver exemplo abaixo), Spielberg não decepciona quem procura em Munique o espetáculo visual.

Baseado no livro Vengeance do jornalista George Jonas, Munique concorreu a 5 Oscars e surpreendeu por não vencer em nenhuma categoria. Considerando apenas os prêmios principais, o trabalho do Ang Lee no O Segredo de Brokeback Mountain foi digno de ser coroado com o Oscar de Melhor Diretor, mas o discurso óbvio sobre preconceito do Crash – No Limite não está a altura do trabalho magnífico realizado pelo Spielberg em Munique, filme obrigatório em todos os sentidos.

Munique Cena

Cena de Munique

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