Rio (2011)

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Depois de Up – Altas Aventuras, Wall.E e Rango ficou difícil dizer que as animações estão sendo feitas exclusivamente para as crianças. Tal afirmação torna-se mais infundada ainda se sairmos do mercado americano e considerarmos, por exemplo, os roteiros complexos do animador japonês Hayao Miyazaki. O bom senso ainda pede, no entanto, que tais produções sejam vistas considerando que o público infantil é o alvo principal desses filmes. Criticar os personagens unilaterais, as lições de moral e o roteiro esquemático levando em consideração a realidade do mercado atual é simplesmente cair no lugar comum, quase um pedantismo.

Levando isso em consideração, não dá para dizer que Rio é decepcionante por repetir tais elementos. A nova animação do brazuca Carlos Saldanha (conhecido por seu trabalho na série A Era do Gelo) falha por não conseguir organizar esses elementos de modo a garantir ao menos um lampejo de originalidade para o público mais exigente.

Em Rio, a arara azul Blu é capturada e levada para os EUA quando ainda é um filhotinho. Blu cai do veículo de transporte e é adotado por Linda. Depois de alguns anos, o brasileiro Túlio procura Linda e pede para ela levar o pássaro de volta ao Brasil para que ele possa “conhecer” a arara Jade. Espera-se que eles procriem e salvem a espécie da extinção. O fato de Blu não saber voar e os perigos trazidos por traficantes de pássaros movem a trama.

Lembram quando fazem piada colocando uma música para criar um clima romântico entre o Scratch e a Scratita no A Era do Gelo 3? Lembram de algum filme onde os personagens ficam amigos, brigam e voltam a serem amigos depois de superarem um problema no final? Saldanha recicla essas e outras cenas em Rio e também faz uso de personagens comuns em outras animações: tem o cara engraçadinho, o psicótico, o amigão maluco… A aposta mais ousada do filme acaba sendo explorar a beleza natural do Rio de Janeiro, que é apresentada utilizando todos os esteriótipos possíveis e imagináveis da “Cidade Maravilhosa”, ponto que tem provocados discussões e protestos inflamados em alguns sites de filme.

Defendo o Saldanha pela simplificação visual (da mesmo para falar em simplificação social aqui?), mas nem todo o esplendor gráfico da animação e os personagens bonitinhos sustentam um filme carente de piadas novas e de uma narração minimamente original. Você é menor de 15 anos? Desconsidere tudo que foi  dito aqui e vá ser feliz.

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  1. Vi ontem. Achei beeeeeem fraco. Acho que o ponto alto foi mesmo a parte visual do Rio de Janeiro. Quanto aos clichês, minha primeira reação foi ficar puto com o diretor. Por ser brasileiro, achei que ele poderia fazer um filme fugindo dos estereótipos da cidade. Mas como o filme é animação (sendo parcialmente voltado pro público infantil) concordo que fica meio complicado fazer um enredo alegre e empolgante pra uma história que se passa no RJ sem citar carnaval, futebol etc. =T
    Classifiquei como mais ou menos.

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