Piaf – Um Hino ao Amor (2007)

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Filmes biográficos tendem a ressaltar as qualidades e grandes feitos das pessoas cujas vidas eles dramatizam. Os defeitos e fatos “polêmicos” geralmente são suavizados (Soderbergh pouco mostrou o lado autoritário e violento do Chê em seus dois filmes), omitidos (o Uma Mente Brilhante não revela a homossexualidade do John Nash) ou apresentados de um ponto de vista cômico (a excentricidade do Mozart no Amadeus; as bebedeiras de nosso ex-presidente no Lula – O Filho do Brasil).

Trilhando um caminho um tanto quanto diferente, Piaf – Um Hino ao Amor é a cinebiografia da cantora francesa Édith Piaf, de quem tu já deve ter ouvido pelo menos essa música aqui. A narrativa é feita através de duas linhas temporais: uma que começa após o fim da Primeira Guerra Mundial e mostra como uma menina abandonada pelos pais aprendeu a cantar com uma meretriz, e outra que já acompanha Piaf em seus últimos dias após uma carreira repleta de músicas de sucesso e excessos que debilitaram sua saúde física e mental.

Édith Piaf enquanto pessoa não provoca nenhum tipo de empatia. Ela fica bêbada quase o tempo todo, é mimada, reclama demais, é fraca demais e é extremamente carente. Um dos grandes méritos do filme é não tentar vincular tais desvios de caráter à uma infância conturbada. Quando opta por não justificar os atos da cantora, o filme tanto foge do óbvio quanto abre caminho para a exposição de uma personalidade singular, uma mulher com um talento enorme para destruir a própria vida e, claro, para cantar.

Piaf, cuja interpretação majestosa rendeu um Oscar para a atriz Marion Cotillard (A Origem), começa a aquecer o coração do público com sua voz forte e interpretação passional ainda criança quando canta a Marseillaise no meio da rua para ganhar uns trocados. Em poucos anos, ela troca as ruas pelos palcos e pelas manchetes de jornal, tanto pelo inquestionável talento quanto pelos vários escândalos de sua vida particular.

Piaf – Um Hino ao Amor não chega a ser um filme “intelectual”, mas certamente pode-se dizer que ele exige mais do espectador do que a maioria dos títulos disponíveis. Assista Piaf sem buscar lições de moral, preparado para relacionar linhas temporais diferentes e, acima de tudo, com a mente aberta para observar como a beleza e o talento podem ser frutos de uma alma atormentada. Acredite, o resultado pode te surpreender positivamente.

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