Um Corpo Que Cai (1958)

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Ficar acordado de madrugada nos faz pensar sobre a vida e repararmos em coisas que, de tão óbvias, eram esfregadas na nossa cara e mesmo assim nós não percebíamos. Dia desses, eu estava escutando Bad Romance da  Lady Gaga lá pelas 03:00h e reparei nesse verso:

I want your psycho
Your vertigo stick
Want you in my rear window
Baby your sick
I want your love
Love, love, love
I want your love
(Love, love, love I want your love)

Eu já havia escutado essa música várias vezes, mas foi nesse dia que eu reparei que a “mamãe monstro” havia feito um verso usando nomes de alguns dos filmes mais famosos do Alfred Hitchcock.

O Vertigo da música saiu por aqui como Um Corpo Que Cai e é um dos filmes mais conhecidos e comentados do diretor. Na época do lançamento, foi massacrado pela crítica, que o acusou de possuir reviravoltas improváveis e personagens mal desenvolvidos. Também foi dito que o James Stewart era muito velho para o papel, crítica que o próprio Hitchcock parece ter endossado, tendo em vista que ele atribuiu o fracasso comercial do filme a idade do ator (com quem ele já havia trabalhado nos excelentes Janela Indiscreta e Festim Diabólico) e nunca mais voltou a trabalhar com ele. Hitchcock acabou comprando os direitos do filme e o deixou (junto com outros 4 títulos) como herança para sua filha. Um Corpo Que Cai voltou então para as salas de cinema em 1983 (tendo sido relançado novamente, já remasterizado, em 1996) e desde então tem sido considerado um dos clássicos absolutos do diretor.

Não é difícil entender as críticas negativas que o filme recebeu em 1958. De fato, Um Corpo Que Cai exagera um pouco no desfecho mirabolante da história e o suspense  é trabalhado de forma mais sutil do que estamos acostumados a ver em outros título do diretor. A história gira em torno de John “Scottie” Ferguson (James Stewart), um ex-policial que fica traumatizado após presenciar a morte de um colega de serviço que cai de um prédio durante a perseguição de um criminoso. Ele passa a sofrer de acrofobia e aposenta-se. Sem muito o que fazer, ele aceita o pedido de um amigo e passa a vigiar sua esposa, Madeleine Elster (Kim Novak). Madeleine tem agido estranhamente e o marido suspeita que ela foi possuída pelo espírito de uma problemática ancestral. Scottie inicia o trabalho de detetive particular com ceticismo mas, à medida que o caso vai ficando mais complexo, ele tanto envolve-se emocionalmente com Madeleine quanto percebe que o caso pode ser bem mais complicado do que ele pensara.

Na primeira parte do filme, Hitchcock leva o espectador com essa história sobrenatural e com o relacionamento proibido entre Scottie e Madeleine. Fica difícil entender como acusaram o James Stewart de ser velho para o papel de um policial aposentado, mas é fácil compreender que as pessoas tenham ficado desconfortáveis com uma personagem que trai o marido com um homem visivelmente bem mais velho do que ela. Sinceramente, mesmo que esse início seja repleto de cenas fantásticas (como quando o policial cai do prédio ou quando Madeleine tenta suicidar-se jogando-se na água), não fiquei tão empolgado quanto eu esperava, essa historinha de possessão simplesmente não me cativou.

Do meio para frente, com aquela reviravolta visualmente agoniante que acontece na torre, o filme melhora muito e mesmo a explicação mirabolante e pouco verossímil do final não atrapalham Um Corpo Que Cai de terminar de forma doentia e desoladora. Pode ter sido forte demais para as pessoas acostumadas com os filmes feitos para a família da chamada Era de Ouro dos Estúdios hollywoodianos ou elas podem simplesmente não terem gostado mesmo. No que me diz respeito, é um bom filme, talvez não tão bom quanto Psicose e Janela Indiscreta, mas ainda assim um bom filme.

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  1. Acho esse filme muito foda mesmo. Depois tenta assistir um filme do Brian De Palma chamado Corpo em Evidência. Grande homenagem ao Hitchcock.

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