Carruagens de Fogo (1981)

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O Discurso do Rei foi anunciado como o vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2011 e deixou muita gente (\o) revoltada. O filme sobre o rei George VI não é ruim, comparado então com outras ganhadores do prêmio, como O Paciente Inglês e Crash – No Limite, ele é um filmão. A questão é que, apesar de possuir dois personagens magnificamente interpretados por dois excelentes atores (Colin Firth, que venceu como Melhor Ator e Geoffrey Rush, que perdeu a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante para o Christian Bale em uma das únicas disputas emocionantes da noite), O Discurso do Rei é certinho demais, esquemático demais, inglês demais. Mesmo a amizade de George (Firth) com o “plebeu” Lionel (Rush) é fria, longe do que pode ser visto em filmes que são levados pelo mesmo sentimento, como o Conduzindo Miss DaisyUm Sonho de Liberdade.

Carruagens de Fogo também venceu o Oscar de Melhor Filme (1982), também fala sobre ingleses, usa o tema da amizade e, de forma geral, não pode ser classificado exatamente com um filme inovador. Trata-se, no entanto, de um caso onde constrói-se um elo emotivo entre filme e espectador desde o início, quando vários jovens podem ser vistos correndo livremente em uma praia. A cena, que é sabiamente apresentada com um slow motion que valoriza detalhes preciosos como grãos de areia e gotas d’água indo de encontro ao rosto dos atletas, apresenta ao mundo e imortaliza a música inspiradora do compositor Vangelis, tema que acabaria vencendo  o Oscar de Melhor Música no ano seguinte. O impacto da mesma foi e é tão grande que ainda hoje ela é associada automaticamente ao mundo dos esportes.

Já tendo conquistado nossa atenção, o diretor Hugh Hudson nos apresenta a história real de Hardol Abrahams e Eric Liddell, dois excepcionais corredores ingleses que preparam-se para disputar as Olimpíadas de 1924. A vontade de competir de ambos é potencializada por desejos pessoais de manifestarem no esporte a religião que eles praticam: Liddell (Ian Charleson) é católico e diz ver na corrida e em sua velocidade a realização da vontade de Deus. Abrahams (Ben Cross) é judeu e coloca seu perfeccionismo a favor da luta pelo fim do preconceito religioso.

É difícil falar em “justiça” quando falamos em Oscar. Eu não diria que foi uma injustiça O Discurso do Rei ter vencido esse ano, assim como não diria que Carruagens de Fogo venceu justamente em 1982. Só que, sem sombra de dúvidas, assiste-se Carruagens de Fogo e entende-se os motivos pelos quais ele ganhou o Oscar mais facilmente do que com O Discurso do Rei, filme que, aliás, provavelmente não duraria mais de uma semana em nenhuma sala de cinema não fossem as indicações ao prêmio da Academia.

Carruagens de Fogo não aponta novos caminhos nem destaca-se pelas questões relativas a tolerância religiosa abordadas. Ele garantiu seu lugar na história do cinema pelos momentos mágicos proporcionados pelas corridas embaladas pelos temas do Vangelis. É emocionante, é bonito, é divertido e é memorável.

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