Kynodontas – Canino (2009)

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Imagina a seguinte situação: você tem um filho e o leva para uma ilha deserta, criando-o sem que ele tenha nenhum contato como a civilização. Você educa-o de forma que ele acredite que só existem vocês dois no mundo. É possível convencer um ser humano a acreditar em qualquer coisa desde que ele seja condicionado desde pequeno para tal ou existe algo como um “espírito humano”, padrões de comportamento e características intrínsecas a própria espécie humana que triunfarão em qualquer situação?

Kynodontas (Dogtooth, que por aqui deve sair com o título de Canino) é um filme grego que concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e que propõe-se a pensar algumas dessas questões. A situação hipotética da ilha é aplicada a uma família onde o pai mantém a esposa e os três filhos trancados em uma residência em um local afastado da cidade. A esposa parece ter consciência do “plano” do marido e ter aceitado a situação, já os filhos do casal vivem sem nunca ter tido contato com o mundo exterior. O pai, que teme que seus filhos sejam “contaminados” com a maldade da humanidade, inventa uma série de histórias, regras e punições que impedem que os filhos saiam dos limites da propriedade. As dúvidas e anseios dos filhos, todos na fase adolescente, aumentam progressivamente e chega um ponto onde o mundo criado pela mente paranóica do pai já não é capaz de fornecer todas as respostas.

O roteiro denso de Kynodontas é acompanhado por cenas igualmente densas e polêmcias. Para ir direto ao ponto, vemos cenas de sexo explícito e seres humanos andando de quatro e latindo. É preciso assistir o filme disposto a analisar e entender o que cada cena representa e contribui para a análise comportamental que o diretor Giorgos Lanthimos exercita em um tom muitas vezes próximo ao de um documentário.

Certamente dirão que várias cenas de sexo e violência poderiam ser cortadas sem alterar o conceito da história. Sobre isso, Lobão, o troll mor do Brasil, declarou recentemente que “o artista não precisa agradar o público, ele está à frente de seu tempo e faz arte rompendo como aquilo que é convencional”. CLAP CLAP CLAP

De fato, Kynodontas incomoda bastante, mas é justamente por isso que ele possui um fator “pós-filme” tão forte: seja pela discussão que ele levanta, pelas cenas polêmicas ou pelo final enigmático, a gente invariavelmente pensará a respeito do que foi visto e muito provavelmente comentará sobre ele depois.

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