O Ritual (2011)

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Discuti aqui com um amigo sobre o Robert DeNiro. Concordamos sobre o talento do ator mas divergimos no que diz respeito aos filmes em que ele tem trabalhado recentemente, chegando ao ponto desse amigo dizer que o DeNiro “desaprendeu” a ler roteiros e que há muito tempo ele não faz nada realmente bom. Não dá para comparar os trabalhos recentes do cara com as obras primas que ele realizou ao lado do Scorsese, mas dizer que ele só tem feito filme ruim é um exagero mesmo levando a questão do gosto pessoal em consideração. Se eu tivesse que fazer essa afirmação (de só fazer filmes meia boca) sobre algum ator, eu acusaria o Sr. Anthony Hopkins.

No comentário do Instinto eu teci algumas linhas a respeito dos filmes do Hopkins após o personagem Hannibal Lecter. Ainda não assisti nenhum trabalho mediano do ator, ele sempre está bem, já os filmes que ele tem feito… O Ritual pega o popular tema do exorcismo (já repararam que praticamente todo ano sai um título com o tema?) e tenta mostrá-lo de uma perspectiva mais próxima da realidade, sem os tradicionais exageros hollywoodianos (fazem até piadas com ‘sopas de ervilha’ e ‘cabeças girando’). Isso ou pelo menos isso era a intenção do diretor Mikael Hafstrom, que dirigiu o ótimo Odskan – Raízes do Mal mas que também é responsável pelo chatíssimo 1408. Infelizmente, O Ritual é outro filme que corrobora meu comentário sobre o Anthony Hopkins e que deixa o saldo do diretor no negativo comigo.

“Você só poderá derrotá-lo quando acreditar”. O filme é baseado em fatos reais e conta a história do padre exorcista Michael Kovac (Colin O’Donoghue), na época ainda um seminarista que encontrou na igreja uma forma de fugir dos problemas familiares. Prestes a converter-se em um padre, Kovac manifesta o desejo de abandonar a vida clerical alegando não ter fé suficiente. Ele é mandado a contragosto para Roma para conhecer os rituais de exorcismo e é apresentado ao padre Lucas Trevant (Hopkins), um sujeito pragmático e realista. Kovac começa a acompanhar o trabalho do Padre Lucas com uma mulher que aparentemente estava endemoniada e pouco a pouco começa a encontrar a fé que lhe faltava.

Mesmo deixando de lado a idéia bizarra de que o padre começa a acreditar em Deus depois de acreditar no demônio, O Ritual não “chega lá” em nenhum momento. Não há terror propriamente dito, as tais cenas “realistas” do ritual não fogem muito do que é visto nos outros filmes do gênero e a cena final é decepcionante. Primeiro fiquei com sono, depois entediado e no final eu já estava torcendo para o filme acabar logo, coisa rara de acontecer. O próximo trabalho do Hopkins que deve chegar ao cinema é o Thor, onde ele interpretará um Odin gigantesco com uma armadura brilhante e um tapa olhos. Tá difícil.

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  1. Céus!!! Andei falando muito bem desse para alguns amigos que manifestaram interesse em assistir algo nas últimas semanas. Espero que eles me perdoem, detestaria saber que trollei alguém. Concordo com você, axezeiro cinéfilo, o filme não é lá grande coisa mesmo…Acho que esses bons atores descobriram que Hollywood é uma indústria, o que importa é grana no bolso.

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