Colapso (2009)

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Em um determinado momento desse documentário, o entrevistado Michael Ruppert fala sobre uma situação hipotética envolvendo o naufrágio do Titanic: imaginemos que uma pessoa soubesse que o navio iria afundar e que não havia botes salva vidas suficientes para salvar todos. Segundo Ruppert, o aviso dessa pessoa dividiria os tripulantes em 3 grupos distintos:

  • Pessoas que entrariam em pânico e não saberiam o que fazer.
  • Pessoas que ouviriam o aviso, olhariam ao redor e, confirmando que a quantidade de botes não seria suficiente para todos, organizariam-se para construir outros botes e pensar em formas de salvarem-se.
  • Pessoas que ignorariam o aviso e iriam para o bar beber, afinal de contas “nem deus pode afundar o Titanic”.

Colapso é um documentário feito a partir de uma entrevista com Michael Ruppert, um ex-policial de LA e bacharel em Ciências Políticas que há cerca de 30 anos desenvolve um trabalho investigativo sobre o esgotamento das reservas mundiais de petróleo e como isso provocará, segundo ele, o colapso da nossa forma de vida atual.

A primeira coisa que vem a cabeça é “teoria da conspiração”, certo? Pois saiba que o diretor Chris Smith, que aparece no documentário entrevistando Ruppert, parte do princípio que o que está sendo falado provocará essa reação no espectador. Em 95% do tempo, escutamos Ruppert falando sobre como é necessário economizar energia e nos acostumarmos com a idéia de que uma hora simplesmente não poderemos mais desfrutar do uso de combustíveis fósseis e seus derivados. Nos outros 5% do tempo, Smith conduz a teoria de Ruppert com perguntas feitas com um timing perfeito, ele pergunta exatamente aquilo que estamos nos perguntando enquanto assistimos.

Independente de concordamos com Ruppert ou não, de acharmos ele alarmista, “extremamente perigoso” ou pessimista, é necessário reconhecer que ele parte de um princípio inquestionável: a sociedade baseada no consumo de petróleo está com os dias contados e é necessário, como ele mesmo diz, educar nossas mentes para a possibilidade de enfrentarmos uma época de privações e mudanças drásticas se não encontrarmos uma fonte de energia que substitua o petróleo. Ruppert critica cada uma das apostas em fontes de energia alternativa, dizendo que todas elas necessitam do petróleo em alguma etapa entre a fabricação e o consumo. O etanol, por exemplo, é mostrado como um combustível ineficaz do ponto de vista custo/benefício.

A carência de conhecimento técnico da maioria do público (e me incluo aqui) trabalha favoravelmente ao entrevistado, mas nem por isso devemos acreditar em tudo que é falado ou simplesmente descartar tudo. Muito provavelmente não viveremos para enfrentar as consequências de décadas de consumo desenfreado e destruição das reservas naturais do planeta, mas nem por isso devemos deixar de lado as questões que Ruppert coloca a respeito da necessidade de reconhecermos que haverá consequências para um modo de vida baseado em um conceito errôneo de progresso infinito. Recomendo.

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Uma resposta »

  1. Fiquei pensando após ler o seu texto, o ser humano não esta preparado para lidar com nenhum imprevisto, com nada que mude drasticamente a sua rotina imagina ter que substituir o pétróleo… as campanhas para a preservação do meio ambiente ainda são muito fracas como a do uso de camisinha.

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