Sexo, Mentiras e Videotape (1989)

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É mais fácil chover sapos do que alguém chegar e pedir indicação de um filme do Steven Soderbergh, aliás, qualquer uma dessas situações seria deveras bizarra. Mas se um dia isso acontecer (o pedido, não a chuva), a minha indicação será o Sexo, Mentiras e Videotape. Esqueça aquelas não-linearidades temporais chatas de filmes como Chê e Confissões de Uma Garota de Programa ou superproduções como Traffic e a trilogia iniciada com o 11 Homens e Um Segredo. Sexo, Mentiras e Videotape é um filme feito por um diretor em início de carreira, com um orçamento baixo e sem excessos narrativos. É uma boa história, com bons personagens e bons diálogos, o feijão com arroz que está cada vez mais difícil de ser encontrado na prateleira hollywoodiana.

O ponto de partida é um casal que tinha tudo para ser feliz. Ele é um advogado cuja carreira está em ascensão, o que permite que a esposa fique em casa sem trabalhar, dedicando todo o tempo para si mesma. O problema é que, além de ser frígida, ela tem uma irmã com um cabelo ridículo que não perde uma oportunidade de ir para a cama com alguém. Some 1 + 1 e acrescente à história um amigo do advogado que chega na cidade trazendo pouco mais do que a roupa do corpo e um fetiche por gravar mulheres relatando experiências sexuais e temos o roteiro de Sexo, Mentiras e Videotape.

Primeiro ponto positivo: os diálogos. Os personagens falam como pessoas que você e eu conhecemos, é tudo muito natural. Temos um advogado que diz que a segunda pior espécie de pessoas são os mentirosos e a primeira são… os advogados, uma mulher que ri ao falar de masturbação e que considera sexo algo superestimado, um marido que sente-se ofendido quando é acusado de traição e um bêbado que canta toda e qualquer mulher que entra no bar. Sério, é genial.

Segundo ponto positivo: a direção. Simples, direta e eficaz. Há um ou outro movimento de câmera audacioso e algumas metáforas, mas nada que tire sua atenção da história que está sendo contada. A “visão” do diretor e os recursos narrativos usados nunca sobrepõe a própria história.

Sexo, Mentiras e Videotape é mais sobre sexo e mentiras do que sobre videotape, é um filme com personagens que tem problemas e inquietações bastante reais (excluindo, logicamente, a da lata de lixo), que não preocupa-se em dar lição de moral e que por isso abre espaço para que você ria de si mesmo e divirta-se no processo.

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