12 Homens e Uma Sentença (1957)

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O que leva um filme preto e branco de 1957 cuja história passa-se 95% do tempo dentro de uma única sala ocupar a 8º posição no ranking de um dos maiores sites sobre cinema da internet com uma respeitável nota 8.9 resultante de mais de 120.000 votos?

12 Homens e Uma Sentença começa no término de um julgamento onde um rapaz é acusado de esfaquear e matar o próprio pai. Os 12 homens do júri reúnem-se para decidir a sentença sabendo que, caso decidam que o réu é culpado, ele será condenado a morte. A defesa não esforçou-se muito durante o julgamento e a acusação apresentou várias testemunhas e “provas”, então o resultado da decisão do júri parece óbvio. No entanto, quando eles fazem uma votação para decidir entre “culpado” e “inocente”, um dos jurados (Henry Fonda) contraria a expectativa de todos e diz que o rapaz é inocente porque, entre outras coisas, ele não pode afirmar com 100% de certeza que ele é culpado. Inicia-se uma longa discussão entre os jurados e, pouco a pouco, todas as certezas que eles tinham sobre o caso começam a desaparecer e revelam-se frutos de preconceito e questões pessoais.

Vamos deixar a genialidade do diretor Sidney Lumet (que trambém dirigiu esse filme legalzão) de lado por conseguir prender nossa atenção durante 1h35min “só” com diálogos e um único cenário. 12 Homens e Uma Sentença é especial principalmente por mostrar o quanto é saudável analisar um problema considerando vários pontos de vista. Todo mundo já deve ter participado de alguma conversa onde o outro julga-se tão certo a ponto de nem escutar os pontos de vista dos demais. Esse tipo de comportamento, além de ser uma das coisas que mais me deixam decepcionado, é quase sempre fruto de fraqueza intelectual ou preconceito, idéia que o filme trabalha sem assemelhar-se a uma simples lição de moral. 12 Homens e Uma Sentença é um filme provocativo, mas não deixa a diversão e o entretenimento de lado: os 12 personagens tem personalidades bem definidas, os diálogos entre eles reconstroem com maestria e tornam visual a cena do crime que o filme NÃO mostra e a linha de raciocínio do personagem do Henry Fonda, com suas simulações, reconstituições e teorias sobre o caso jogam a gente para dentro do filme, dá vontade de estar la dentro daquela sala para apoiá-lo. Concorreu ao Oscar de Melhor Filme de 1958 junto com o também sensacional Testemunha de Acusação, o que aumenta MUITO a minha curiosidade para ver o vencedor do ano, A Ponte do Rio Kwai.

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