A Útima Tentação de Cristo (1988)

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Contrariando a velha máxima de que “religião não se discute”, Martin Scorsese levou para o cinema a adaptação do livro A Última Tentação de Cristo, do escritor Nikos Kazantzakis. Como se já previsse a polêmica que a história causaria, Scorsese inicia o filme com um aviso de que a obra não foi baseada no Evangelho, que a intenção era compreender o homem que, na busca pela espiritualidade, acaba negando sua própria essência enquanto humano. O aviso não impediu que A Última Tentação de Cristo tornase-se o trabalho mais polêmico do Scorsese, com protestos a nível nacional contra a forma como Jesus Cristo é retratado no filme e outros a favor do diretor e da liberdade de expressão.

O Jesus (Willem Dafoe) de A Última Tentação de Cristo difere-se bastante do salvador perfeito que a Bíblia nos apresenta: ele tem desejos carnais, confessa ter vontade de matar algumas pessoas e de constituir família e fraqueja diante do sofrimento inerente a sua missão. Enquanto muitas pessoas gostaram dessa abordagem por ela mostrar um Jesus Cristo mais “humano” e com dúvidas que todos enfrentamos quando entramos em contato com o lado religioso da vida, outros consideram que, mesmo que o diretor defenda-se com o aviso inicial citado, o filme deturpa pontos fundamentais do dogma da igreja e é pernicioso no sentido de promover uma reinterpretação errônea de Cristo. Os mais exaltados chegam a dizer que o filme é uma obra do demônio(!).

Em um determinado momento da história, Jesus Cristo depara-se com um homem que prega seus ensinamentos para uma pequena multidão. Na pregação o homem fala sobre coisas que Jesus NÃO havia feito e por isso os dois começam uma pequena discussão. O homem diz a Jesus que não importa se aquelas coisas aconteceram ou não se a mensagem de amor e paz tocar o coração dos homens. Com essa pequena pérola, Scorsese defende-se das acusações de ser um enviado do demônio (cof), entrega um filme com uma visão interessante sobre o homem mais influente de todos os tempos e convida quem está assistindo a repensar os ensinamentos de Cristo. Por tratar-se de uma história amplamente conhecida e por ter quase 3 horas de duração, A Última Tentação de Cristo tende a ficar cansativo em alguns pontos, mas é um filme que eu considero fundamental para quem quer não apenas ACEITAR a religião, mas tomar uma decisão CONSCIENTE sobre ela.

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