O Grande Ditador (1940)

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Me corrijam se eu estiver errado, mas a impressão que eu tenho é que TODO mundo sabe perfeitamente quem é o Charles Chaplin mas que poucas pessoas assistiram algum filme dele que não seja o Tempos Modernos, clássico absoluto do cinema que vez ou outra algum professor de História exibe na sala de aula para dar um “empurrãozinho” no espírito crítico dos alunos.

Da minha parte, esse “erro” termina hoje. A filmografia do ator é extensa e nem que eu me dedicasse exclusivamente a ela seria possível dar conta de todos os fimes em pouco tempo, então decidi começar por aqueles que são considerados “clássicos absolutos”. O Grande Ditador traz a famosa paródia de Chaplin à Adolf Hitler e mesmo quem nunca assistiu o filme já deve ter assistido a cena onde Adenoid Hynkel (Chaplin, observem que o nome é uma referência clara ao Fuhrer alemão) brinca com um globo terrestre ou lido/escutado parte do tocante discurso que o barbeiro (também interpretado por Chaplin), confundido com Hynkel, faz falando sobre democracia e liberdade.

O humor do O Grande Ditador não é do tipo que me faz dar gargalhadas, mas me agrada muito principalmente pelo tom irônico que o Chaplin usa para satirizar as principais características dos governos autoritários que ameaçaram o mundo durante a Segunda Guerra Mundial, com destaque para o encontro de Hynkel e a paródia do Mussolini, Benzino Napaloni e para as imitações de Chaplin para os enérgicos discurso do Hitler. Vale ainda ressaltar o fato do filme ter sido feito DURANTE a guerra, o que só aumenta o valor de sua crítica. Primeiro filme “falado” feito pelo ator/diretor e o segundo dele que eu vi, situação que, mesmo que eu pretenda mudar rapidamente, não me incomoda, afinal de contas nada melhor do que pensar que ainda restam vários filmes de um dos maiores gênios da história do cinema para serem apreciados.

BONUS ROUND:

Parte do famoso discurso:

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”

Charles Chaplin na famosa cena do globo terrestre

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