A Vida Durante a Guerra (2009)

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O movimento que ficou conhecido como Nova Hollywood, que teve início no final da década de 60 e alcançou seu ápice criativo durante a década de 70, foi formado principalmente por diretores que buscavam um contato maior com a realidade, produzindo filmes onde os personagens fossem mais “humanos”, filmes onde não era tão fácil identificar quem era o “mocinho” e quem era o “bandido”, histórias que quase sempre acabavam de uma forma triste para refletir o período de apatia e ceticismo no qual os EUA mergulharam após eventos como a morte dos Kennedy e a Guerra do Vietnã.

A Vida Durante a Guerra pode ser entendido como um fruto dessa abordagem, um filme que foi fortemente influenciado pelo trabalho de diretores como Martin Scorsese e Arthur Peen por buscar a voz do cidadão comum, por trabalhar o lado psicológico de personagens que, salvo as devidas diferenças culturais, poderiam ser seus vizinhos. A história gira em torno da família de Trish (Allison Janney), uma judia cujo ex-marido foi preso acusado de pedofilia, que tem uma irmã que é casada com um ex-presidiário pervertido e cujos filhos apresentam diferentes tipos de traumas provocados pela ausência do pai.

Mesmo que algumas cenas sejam levadas com um pouco de humor negro, o tom predominante de A Vida Durante a Guerra é o da tragédia, de pessoas que, assim como aquelas que viveram o período da Guerra do Vietnã, encontram-se perdidas e interiorizam de formas variadas as questões que a guerra coloca. Trish, por exemplo, é capaz de dizer para o filho de 12 anos que ficou “molhada” com o toque de um homem mas não consegue explicar para o mesmo filho o que um pedófilo faz. Esses conflitos desenvolvem-se e trazem consequências trágicas em um filme que faz mais perguntas do que dá respostas, mas essas perguntas, que funcionam como socos no estômago na maioria das vezes, são um passo importante para a resolução do problema, como o diretor nos mostra quando nos faz pensar a respeito de “esquecer ou perdoar”.

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Uma resposta »

  1. O melhor do filme é o fato dele não entregar tudo mastigado, de vc ter que pensar o que aquilo significa. E lógico perceber como o discurso de modo de vida americano é apresentado defendido pelos personagens, principalmente quando o menino fala sobre os terroristas.

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